Furnas buscará financiamento para projetos junto ao BNDES

O presidente de Furnas Centrais Elétricas, José Pedro Rodrigues, se reúne nesta quinta-feira com a diretoria do BNDES para encontrar solução para financiar os projetos da empresa, dentro das regras que limitam seu endividamento. Segundo ele, o principal entrave está para a obtenção de crédito junto ao banco para que a companhia, controlada pela Eletrobrás, possa tocar adiante as obras das usinas de Simplício (333,7 MW médios) e Batalha (52,5 MW médios), respectivamente localizadas nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em ambos os casos, a companhia arrematou sem parceiros as usinas nos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e agora está impedida de tomar o financiamento, ao contrário de outros empreendimentos, como Foz do Chapecó, Retiro Baixo e Serra do Facão, que contam com parcerias com a iniciativa privada e por isso tem acesso ao financiamento do BNDES.Segundo informou Rodrigues em entrevista coletiva concedida há pouco, o modelo a ser apresentado pelo BNDES deve estar baseado no "lançamento de debêntures contra valores a serem gerados pela obra". "A modelagem exata ainda não conhecemos, mas deve seguir esse esquema", comentou, lembrando que a situação já está "praticamente equacionada". "Tenho a palavra do presidente do BNDES, Demian Fiocca, de que todas as usinas programadas por Furnas serão financiadas. No total, os investimentos de Furnas somam algo em torno de R$ 5 bilhões a serem aplicados até 2011. Leilão no Rio MadeiraRodrigues disse que a empresa ainda não está certa de participar do leilão do projeto do Rio Madeira em parceria com a companhia Odebrecht. As duas empresas foram responsáveis pelos estudos da viabilidade de implementação do projeto, que inclui, além de duas usinas hidrelétricas (Jirau e Santo Antônio), com capacidade de geração de 7 mil MW, ainda tornam o rio navegável para escoamento da produção da região Centro-Oeste para o Atlântico e possivelmente para o Pacífico.Segundo ele, a decisão de participar do leilão será tomada pela Eletrobrás. "Se vai ser por meio de Furnas, ou de qualquer outra controlada ainda não sabemos. Mas é claro que Furnas tem a vantagem de já ter participado dos estudos", admitiu.Rodrigues discordou da opinião de críticos de que as usinas hidrelétricas projetadas pela Bolívia podem atrapalhar os planos para a implementação do projeto do Madeira. "Isso é uma visão pequena. Considerando que a Bolívia não terá demanda para consumir os 3 mil MW a serem gerados, eles deverão ser integrados ao Madeira. Teremos praticamente uma nova Itaipu, com 10 mil MW", lembrou.Em apresentação a técnicos e analistas do setor em almoço promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef), Rodrigues fez clara defesa da construção do projeto do Madeira. "Mesmo que não fosse para gerar um MW sequer, eu já seria a favor do projeto pelos benefícios logísticos e sociais que ele trará, além dos financeiros, com a possibilidade de empregar 40 mil pessoas e gerar oportunidades para fornecedores do setor de energia no país", disse.Ele ainda destacou que "deveria ser decisão estratégica do país" avançar ao máximo que puder na exploração da energia hidrelétrica. "Todos os países no mundo foram ao esgotamento de sua capacidade hidráulica. Por que o Brasil não pode fazer o mesmo?", indagou, lembrando que em estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já foram identificados potenciais 250 mil MW em energia hidrelétrica, dos quais 80 mil podendo ser implementados no curto prazo.

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