JF Diorio/Estadão
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Furnas, da Eletrobrás, assina contrato de R$578 mi com Odebrecht para termelétrica

O negócio vem no momento em que a empreiteira é pressionada por credores em meio a dificuldades financeiras iniciadas após escândalo de corrupção

Reuters

26 Março 2018 | 21h49

A estatal Furnas, subsidiária da Eletrobrás, assinou contrato de R$ 578,67 milhões com empresas do grupo Odebrecht para aumento da capacidade da termelétrica Santa Cruz, no Rio de Janeiro, segundo informações da empresa e do Diário Oficial da União desta segunda-feira, 26.

O negócio, conquistado em licitação, vem no momento em que a Odebrecht é pressionada por credores em meio a dificuldades financeiras iniciadas após um enorme escândalo de corrupção que atingiu a companhia, depois de investigações da chamada Operação Lava Jato no Brasil.

Segundo Furnas, a Odebrecht Engenharia e Construção Internacional e sua subsidiária CBPO Engenharia formam o consórcio contratado para a obra na usina de Santa Cruz, que envolverá a implantação de ciclo combinado na unidade. A assinatura do contrato aconteceu em 19 de março.

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O negócio com a estatal não sofre restrições porque a Odebrecht não foi considerada inidônea pelas autoridades brasileiras, o que vedaria sua contratação por agentes públicos, informou a empreiteira à Reuters.

Furnas disse que a contratação envolveu uma concorrência e que as empresas da Odebrecht apresentaram o menor preço, com uma proposta “7% abaixo do valor orçado e atualizado”, segundo nota da companhia.

A UTE Santa Cruz opera atualmente com 350 megawatts em capacidade, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O fechamento do chamado ciclo combinado na usina deve garantir uma potência final de pelo menos 507 megawatts líquidos, segundo documentos da licitação.

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Segundo o Diário Oficial, o contrato com o consórcio da Odebrecht terá prazo de 58 meses e em regime de empreitada integral, o que significa que a empresa ficará responsável por serviços de engenharia, obras civis, fornecimento de materiais, montagem eletromecânica e comissionamento da unidade, entre outras atividades.

Atraso. A operação do chamado ciclo combinado na termelétrica Santa Cruz foi permitida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2002, com previsão de operação a partir de 2006.

Depois, Furnas ganhou prazo até o fim de 2014 para entregar as obras, mas o cronograma ainda assim não foi cumprido. O atraso do empreendimento levou a Aneel a multar a empresa em quase 995 mil reais em 2015, infração já paga pela estatal.

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