Furnas economiza R$ 12 milhões e causa perda de R$ 275 milhões ao consumidor

Falta de transformador em subestação provoca gasto com acionamento de térmica, repassado a clientes do Sudeste e do Centro-Oeste

KARLA MENDES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2011 | 03h06

As três horas que os clientes da Light, no Rio, ficaram sem luz em dezembro do ano passado já custaram R$ 275 milhões aos consumidores do Sudeste e Centro-Oeste. Essa fatura, já repassada às contas de luz, é consequência da falta de um transformador na subestação do Grajaú, de Furnas, avaliado em R$ 12 milhões. Ou seja: o valor pago pelos clientes foi 23 vezes maior do que o investimento necessário para comprar o equipamento.

A falta desse transformador deixou o sistema que atende o Rio vulnerável, sobretudo no verão, quando aumenta a demanda de energia. Para evitar novos apagões por sobrecarga, foi ligada a termoelétrica Barbosa Lima Sobrinho, da Petrobrás. O custo médio mensal para acionar a usina é de R$ 25 milhões.

Levantamento do mercado obtido pelo Estado mostra que o maior valor mensal pago até agora foi em janeiro (R$ 45,7 milhões). Nos três primeiros meses do ano, a fatura chegou a R$ 104,8 milhões. A despesa total, que atingiu R$ 275 milhões em setembro, foi rateada na conta de luz dos consumidores do Sul e Centro-Oeste sob o nome de Encargos de Serviços do Sistema (ESS). E a fatura pode aumentar se o transformador não for reposto até dezembro.

O valor pago pelos ESS encarece o megawatt/hora em R$ 8, revela uma fonte do setor. "É um custo pela incompetência de uma empresa", critica a fonte. A conta é repassada a consumidores residenciais, comerciais e industriais. "Quando Furnas comunicou o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) o problema, foi ligada a termoelétrica Barbosa Lima Sobrinho e não desligaram mais", disse a fonte.

Conta diferente. O ONS, porém, contesta as contas do mercado e diz que o acionamento da termoelétrica por causa da subestação do Grajaú ocorreu somente no primeiro trimestre, com um custo mensal de R$ 24 milhões. "Nesse período, tem carga que justifica ligar essa termoelétrica. Com apenas três bancos de transformadores, não tem como ter segurança sem despachar a termoelétrica", disse ao Estado o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp. O dirigente ressaltou que, se não fosse o horário de verão, a geração térmica para o Rio teria de ser muito maior.

"Se tivesse o transformador, a termoelétrica não precisaria estar ligada", disse Rui Altieri Silva, superintendente de Regulação da Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ele explicou que, para a subestação do Grajaú operar com segurança, são necessários quatro bancos de transformadores. No entanto, desde agosto do ano passado, quando queimou um dos equipamentos, tem sido necessário o acionamento da termoelétrica para suportar a alta da demanda de energia no Rio.

"Esses equipamentos correm o risco de entrar em sobrecarga (sem o transformador)", alertou Altieri. Segundo ele, o que ocorreu no Grajaú foi uma situação atípica. "Transformador falhar acontece muito, por isso tem reserva. O que é muito raro é usar a reserva e, na sequência, falhar o outro, que foi o que aconteceu."

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