Furnas: será possível comprar ações com FGTS

Os trabalhadores vão poder comprar o equivalente a R$ 2,2 bilhões em ações de Furnas com o dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). É este o montante de créditos junto ao Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS) que o FGTS possui em carteira. A Caixa Econômica Federal, gestora do FGTS, só está aguardando que o governo defina a questão para lançar um fundo de ações exclusivo para a utilização do FGTS em Furnas, à semelhança do que foi feito com a Petrobrás.A forma de utilização do FGTS para a aquisição de ações de Furnas deve ser decidida amanhã (27), na reunião do Conselho Nacional de Desestatização. O presidente Fernando Henrique Cardoso já concordou com o pedido, feito pelo presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. A expectativa da central sindical é que o governo autorize inclusive um porcentual maior do que ocorreu na Petrobrás. Nesse caso, o Palácio do Planalto terá que baixar uma Medida Provisória, alterando a lei 9491. É que a legislação só permite a utilização do FGTS até 50% do saldo que o trabalhador tem em conta.Também já está decidido que o governo dará aos trabalhadores vantagens na aquisição das ações de Furnas, ou seja, um deságio de 20%, que será bancado pelo Tesouro Nacional. Na compra das ações da Petyrobrás o FGTS possuía em caixa R$ 3,6 bilhões de créditos do FCVS. Os trabalhadores utilizaram R$ 1,6 bilhão na compra. Os R$ 2 bilhões que sobraram sofreram um pequeno acréscimo por conta de débitos pagos ao FGTS com créditos do FCVS.Para poder comprar ações de Furnas os trabalhadores terão que participar de fundos específicos, que serão criados pelos bancos e pela Caixa Econômica Federal e aprovados pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central. Os trabalhadores que optarem por arriscar no mercado de ações terão que permanecer com o dinheiro aplicado por um período mínimo de um ano (caso da Petrobrás). Após esse período as ações poderão ser vendidas e o dinheiro retornar à conta vinculada do FGTS, com a garantia do governo de rendimento anual de 3% ao ano acima da correção da Taxa Referencial de Juros (TR).

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