Furnas tem prejuízo com comercialização de energia

As subsidiárias da Eletrobrás, especialmente Furnas, registraram pesadas perdas no mercado livre de energia elétrica em 2007, conforme o relatório "Informe aos Investidores" divulgado ontem pela holding estatal de energia elétrica, juntamente com as demonstrações financeiras. As perdas de Furnas atingiram R$ 1,173 bilhão na comercialização, enquanto a Eletronorte perdeu R$ 276 milhões. A Chesf, outra controlada da Eletrobrás, não detalhou as suas atividades de comercialização de energia elétrica em 2007. Nos outros segmentos do mercado, como geração e transmissão, as controladas da Eletrobrás registraram lucros.Segundo especialistas que acompanham o mercado livre de energia, as perdas de Furnas resultam do descasamento entre contratos de compra e venda de energia, combinado com a explosão de preços no mercado livre na segunda metade de 2007. Os problemas, inclusive, devem ter se agravado no início deste ano devido ao aumento de preços da energia na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), na avaliação desses especialistas. "Furnas não divulga os detalhes dos seus contratos, mas só o fato de a usina nuclear Angra 1 não estar operando já mostra a sua grande exposição num momento em que os preços estão muito elevados", comentou um especialista. A potência nominal da central nuclear é de 657 megawatts (MW).Conforme o comunicado da Eletrobrás, as perdas de Furnas resultaram do descasamento entre o preço de compra e o preço de venda de energia. A empresa desembolsou R$ 2,248 bilhões para comprar 15.455 gigawatts-hora (GWh) de energia, ao preço médio de R$ 145,45 por megawatt-hora (MWh), enquanto o valor médio da energia comercializada ficou em R$ 71,22. Mesmo sendo uma das maiores produtoras de energia no País, a empresa teve de adquirir de terceiros cerca de 27% da energia que entregou aos seus clientes no ano passado.GanhosAs perdas na comercialização foram parcialmente compensadas nas atividades de geração (lucro de R$ 1,272 bilhão) e transmissão (R$ 916 milhões), além de Furnas ter registrado ganhos devido ao superávit atuarial do fundo de pensão dos seus funcionários, o Real Grandeza. Com isso, a empresa contabilizou lucro líquido final de R$ 676 milhões no ano passado. Na Eletronorte o movimento foi semelhante, com a empresa registrando perdas de R$ 276 milhões na comercialização, que foram compensadas por ganhos da geração (R$ 284 milhões) e transmissão (R$ 37,3 milhões). Devido ao elevado endividamento da companhia, porém, o resultado final foi negativo em R$ 542 milhões.

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