FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Fusão de ministérios pode ser reavaliada por equipe de Bolsonaro

Após críticas e temendo repercussão internacional negativa, campanha quer rever união dos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura

Leonencio Nossa, Adriana Fernandes e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2018 | 04h00

Diante de críticas de setores de exportação do agronegócio, a equipe técnica do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, rejeita uma fusão das pastas do Meio Ambiente e da Agricultura e descarta romper o Acordo de Paris para controle do aquecimento global.

Um estudo que está sendo preparado por auxiliares do presidenciável ressalta que órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) devem estar, num eventual governo, na estrutura de um superministério de infraestrutura ou se manter como pasta independente integrada ao sistema de defesa nacional. A decisão final será tomada por Bolsonaro, que espera uma redução de ministérios.

Nas últimas semanas, o grupo de campanha do PSL recebeu análises de especialistas em comércio exterior que preveem dificuldades com fornecedores da Europa se um possível governo confirmar o aniquilamento do Meio Ambiente e sinalizar para um aumento das taxas de desmatamento na Amazônia. Desde a pré-campanha, os auxiliares de Bolsonaro já trabalhavam com a perspectiva de que uma fusão era inviável administrativamente. Eles argumentam que área ambiental atua em temas de infraestrutura e energia, por exemplo, sem conexão com a Agricultura. As críticas generalizadas reduziram a possibilidade da integração.

Alerta. Em carta à campanha, o consultor de assuntos internacionais Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington, alertou que a questão ambiental está interligada ao comércio do País com outros países. Ele citou a importância de manter o Brasil no Acordo de Paris, firmado em 1995 para conter o aquecimento global. O ex-diplomata ainda alertou para uma proposta de transferir a embaixada em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, o que desagradaria países muçulmanos que compram carne brasileira, e contatos da campanha com Taiwan, que tem desagradado os chineses.

Nas conversas com a equipe de Bolsonaro, a própria Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que deve indicar o nome para chefiar o novo ministério, disse que não compactua com o fim dos órgãos ambientais. A deputada Tereza Cristina (DEM-MS), presidente da FPA e cotada para assumir o ministério, chegou a elogiar em público a fusão das pastas, mas, nos bastidores, a parlamentar e boa parte da bancada temem que a fusão prejudique a imagem do setor especialmente nos países europeus.

Além de Tereza, outro potencial candidato ao posto é o líder ruralista Luiz Antonio Nabhan Garcia, apesar de seu nome ter encontrado resistências dentro do próprio PSL. Outro candidato ao posto é o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP), que foi eleito senado pelo Rio Grande do Sul. Até mesmo o nome do atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi, chegou a ser ventilado, apesar de a cúpula do agronegócio ver Blairo como uma possibilidade remota.

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