´Fusão de Varig e TAM é noivado de nudista com muçulmana´

O processo de fusão entre as companhias aéreas Varig e TAM se assemelha a um "noivado entre um nudista e uma muçulmana". A comparação foi feita anteontem pelo conselheiro da holding Fundação Ruben Berta Participações (FRB-Par, dona de 87% das ações da Varig) e do BNDES, Gilmar Carneiro dos Santos. Santos usou a expressão para referir-se ao que ele considera falta de conhecimento em relação à TAM no processo de fusão. Para ele, enquanto a Varig tem aberto seus dados, os números e a situação financeira da TAM não são claros. Santos disse que "ninguém conhece a TAM". Segundo ele, a Varig agora passará a ter novas exigências para continuar negociando a fusão. Isso porque, além da questão dos números, ele afirma que FBR exige uma participação mais efetiva do BNDES no processo de modelagem da união, que é conduzida pelo banco Fator. Isso seria importante, segundo ele, porque caberá ao banco o papel de avalista e financiador da fusão. "O Fator é um consultor e, acabado processo, ele está fora. O BNDES, não", conclui ele. As divergências com relação ao processo de fusão entre a Varig e a TAM tiveram início na semana passada, quando o então presidente da Varig, Manuel Guedes, deixou a presidência-executiva da empresa. Favorável à fusão, Guedes teria se desentendido com o presidente do Conselho de Administração da Fundação, Gilberto Rigoni, que assumiu o cargo na semana passada. Com a saída de Guedes, o governo, a TAM e o Banco Fator voltaram a negociar a fusão diretamente com o conselho da FRB. Conselheiros descontentes Na prática, boa parte dos conselheiros está sem informação sobre a proposta apresentada pelo Banco Fator e descontente com as divergências internas do conselho de curadores, um grupo de sete pessoas eleitas para administrar a FRB, mas que vem se desentendendo. Fontes da Varig informam que o documento do Banco Fator não especifica os percentuais de participação acionária das partes após a fusão. Especula-se, contudo, que a fatia da Varig poderia variar entre 5% e 10%, bem abaixo do pedaço da TAM. Credores ficariam com o restante do capital. A proposta admite a fusão, mas não incluiria os negócios de infraestrutura do grupo, como a SATA (serviços em aeroportos), Rede Tropical de Hotéis, Amadeus (sistema de reservas).

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