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Fusão entre Rio Tinto e BHP seria positiva, diz Vale

Segundo presidente da companhia, negócio daria mais poder de fogo para novos investimentos no setor

Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

26 de novembro de 2007 | 08h38

O presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, acredita que uma eventual fusão entre as gigantes anglo-australianas BHP Billiton e Rio Tinto seria positiva para a indústria mundial de mineração, por dar mais poder de fogo para novos investimentos. O executivo rebateu nesta segunda-feira, 26, críticas do setor siderúrgico de que a possível união seria uma maneira de deixar o segmento de mineração ainda mais concentrado e, com isso, ter maior poder de barganha nas negociações sobre o reajuste no preço do minério de ferro. "A fusão não tem relação com preço, tem com os investimentos", afirmou Agnelli, ao lembrar que essa é uma questão definida na mesa de negociação entre os grandes produtores e consumidores. "Nem a siderurgia mundial acreditava que se pudesse crescer tanto". Em entrevista a jornalistas na França, transmitida via webcast, Agnelli alfinetou as siderúrgicas ao lembrar que o setor, assim como o de mineração, também passa por um processo de consolidação. Segundo ele, o grande problema hoje não é qual o porcentual de reajuste nos preços, mas, sim, se irá faltar minério para atender ao forte crescimento da demanda mundial pelo produto. Isso porque, lembrou, todas as mineradoras estão trabalhando no limite da capacidade e fazendo investimentos para ampliar sua produção. Venda Questionado por um jornalista francês Agnelli foi categórico ao descartar a possibilidade da mineradora sofrer uma oferta de compra (take over). "Não temos risco de ser comprados", afirmou ao demonstrar surpresa com a pergunta.  Segundo Agnelli, os acionistas controladores da empresa - Previ e Bradespar - não têm a "intenção de se desfazer do ativo", que apresenta um elevado nível de rentabilidade que acaba por desencorajar qualquer plano de desinvestimento na mineradora. O executivo fez questão de ressaltar que os controladores da Vale têm uma visão de longo prazo, o que acaba por dificultar muito qualquer "take over". E concluiu afirmando que a Companhia Vale do Rio Doce não está em uma posição de ser consolidada, mas, de consolidar. "Estamos sempre olhando possíveis aquisições", disse. Minério de ferro Sem falar sobre o rumo das negociações de preço para o reajuste do minério de ferro em 2008, o presidente da Vale traçou um cenário de forte aumento da demanda para os próximos anos. Segundo ele, o ritmo de crescimento, puxado pela China, surpreendeu até os mais otimistas no setor. Em 2001, os dirigentes da siderúrgica chinesa Baosteel acreditavam que a Vale teria que dobrar sua produção, então em cerca de 120 milhões de toneladas, para atender à demanda da região, que iria ampliar os investimentos em infra-estrutura até 2007/2008 por conta das Olimpíadas. Hoje, a Vale produz a um ritmo de 300 milhões de toneladas e ainda existe escassez de demanda por minério. Agnelli lembrou que apesar dos pesados investimentos em expansão feitos pelas mineradoras nos últimos anos, elas não estão conseguindo acompanhar o crescimento da China. E a expectativa é de que a Índia possa adicionar uma pressão ainda maior a esse mercado de matéria prima escassa. Em entrevista a jornalistas na Bolsa de Paris, o diretor executivo de Finanças da Vale, Fábio Barbosa, afirmou que nos anos 70 o consumo de aço per capita nos Estados Unidos era de 600 a 650 quilos. Hoje, na China, esse consumo está em 350 a 400 quilos. "Se imaginarmos que eles podem atingir esse patamar, ainda há muito espaço para crescer", disse.

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