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Fusão entre Sadia e Perdigão abre espaço para rivais

Estimulados por supermercados, grupos como Bertin e Marfrig aceleram planos em alimentos

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

A fusão entre Perdigão e Sadia, anunciada em maio, acendeu o sinal de alerta entre os supermercados. Afinal, em alguns segmentos, as duas empresas chegam a deter mais de 70% do mercado. Para não ficarem tão dependentes de um só grande fornecedor, supermercados começam a estimular empresas de alimentos a entrarem nas áreas ocupadas pela BRF - Brasil Foods (nome da empresa surgida da fusão entre as duas). E as empresas de alimentos não querem deixar passar essa oportunidade.O grupo Bertin, por exemplo, decidiu dar um novo fôlego à marca Vigor, que completa neste ano 90 anos no mercado como sinônimo de leite e derivados. A partir de setembro, a marca estará também em hambúrgueres, pizzas e pães de queijo. Até o fim do ano serão adicionados 50 produtos à linha atual, de 78 itens, todos lácteos."Queremos ocupar o mais rapidamente possível a lacuna deixada pela união da Sadia com a Perdigão", diz o vice-presidente do Bertin S/A e responsável pela operação da marca Vigor, Fernando Falco. Nas contas dele, em algumas categorias de produtos as duas marcas detêm entre 70% a 80% de mercado. "Vamos conquistar de 10% a 15% desse naco em dois a três anos", prevê.O plano inicial da companhia, anunciado no início deste ano, de direcionar a marca Vigor para produtos lácteos para as classes B e C foi totalmente refeito após a criação da BRF. A decisão, segundo Falco, foi fruto de pesquisas feitas com consumidores que mostraram a força da marca não só com leite, mas também com carnes e pratos prontos. "A Vigor só foi rejeitada pelo consumidor como marca de café", diz. Além disso, conta, houve uma forte pressão dos supermercados para que o Bertin tivesse uma marca alternativa à Sadia e Perdigão.Essa pressão também foi sentida pelo Marfrig - que, coincidentemente, também conversa com o Bertin sobre uma possível fusão. "Na Apas (convenção dos supermercados de São Paulo deste ano), todos os supermercadistas vieram falar que precisavam de uma marca alternativa, pois em algumas categorias a BRF detém 70% do mercado. Os supermercados não querem isso", diz o diretor de marketing da Marfrig, Sérgio Mobaier.Segundo o executivo, com a união da Sadia com a Perdigão, a empresa decidiu acelerar os planos que foram traçados em 2007, de expandir sua atuação, concentrada no setor frigorífico, para se tornar uma empresa de alimentos. Ainda neste ano, a investida será nos segmentos de pratos prontos, pizzas e massas. Para o Natal, a empresa estreia no mercado de perus.Com cinco marcas no País, entre as quais estão DaGranja e Pena Branca, por exemplo, Mobaier diz que o grupo ainda não elegeu uma ou duas que irão comandar a operação no varejo. Mas, apesar de não revelar a estratégia, ele dá uma pista: "DaGranja é a terceira marca de empanados em São Paulo e já foi a terceira no Rio."Para o consultor de varejo do Grupo Azo, Marco Quintarelli, além das empresas médias, muitas companhias regionais estão crescendo por causa da fusão da Sadia com a Perdigão. "Ninguém quer ficar na mão de ninguém", diz, lembrando de marcas regionais como Diplomata e Frangosul, do Sul, e Rica, do Rio de Janeiro, que também estão sendo muito procuradas pelos supermercadistas.O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda, diz que é mesmo uma tendência os supermercados procurarem uma terceira marca. "Temos a TAM e a Gol, mas eu mesmo estou doidinho para voar de Azul", diz, fazendo referência à companhia aérea criada no ano passado com a meta de ganhar mercado das líderes.Até agora, no entanto, segundo Honda, os supermercados não sentiram dificuldade nas negociações com Perdigão e Sadia. Segundo ele, as duas empresas "certamente têm uma inteligência interna" para não pressionar os compradores e perder mercado.Procurada, a BRF disse apenas, por meio de nota, que "novas marcas contribuirão para aumentar a competição saudável e beneficiarão diretamente os consumidores e o País, gerando empregos, renda e divisas". A fusão entre Sadia e Perdigão ainda está sendo analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Analistas acreditam que o negócio deve ser julgado até, no máximo, o início do ano que vem.

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