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Fusão entre Sadia e Perdigão vai aguardar decisão do Cade

Furlan e Secches garantem ao Conselho que estruturas das empresas continuam independentes até julgamento

Isabel Sobral e Célia Froufe, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

Os presidentes dos conselhos de administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan, e da Perdigão, Nildemar Secches, deram ontem, pessoalmente, a garantia aos integrantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que as estruturas das companhias serão mantidas independentes, até que o negócio seja julgado pelo conselho. O presidente do Cade, Arthur Badin, relatou o compromisso assumido pelos executivos após recebê-los por uma hora. Outros cinco conselheiros também participaram do encontro, no qual foram apresentados os motivos que levaram à fusão. "Eles (os presidentes das empresas) procuraram tranquilizar o Cade, dizer que haverá condições de reversibilidade total da operação, caso não haja aprovação da mesma", contou Badin. O presidente do Cade acrescentou que os empresários também enfatizaram que respeitarão todas as decisões dos órgãos brasileiros de defesa de concorrência. No entanto, é dado como certo por especialistas em defesa da concorrência que o Cade assinará com as empresas um acordo - chamado de Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação (Apro) - que garanta a independência das empresas até o julgamento do caso. Isso evitaria um fato consumado, já que o conselho pode levar meses para dar a palavra final sobre a união das duas companhias. Badin disse que somente após o Cade receber todos os documentos relativos à fusão é que o órgão terá condições concretas de avaliar o desenho operacional montado e ter certeza da necessidade ou não do Apro.As empresas têm até o dia 9 de junho para entregar toda a documentação exigida pelo Cade. A reunião de ontem foi descrita como uma "visita de cortesia" dos empresários ao conselho. "Eles apenas descreveram a nós, como já fizeram à imprensa, a importância da conquista de mercados externos e a necessidade de fortalecimento da indústria em novos mercados", continuou Badin. Furlan e Secches evitaram dar declarações sob a justificativa de que estão impedidos por regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado de ações. "Estamos no período de silêncio", disse Furlan. A empresa que surgiu da fusão, a Brasil Foods (BRF), prepara para até o final de julho a captação de R$ 4 bilhões com oferta de ações e, por isso, seus dirigentes devem evitar comentários, segundo as regras da CVM, que possam influenciar o valor dos papéis. PRIMO IMPEDIDO O conselheiro Fernando de Magalhães Furlan, que integra o Cade, se declarou ontem impedido de julgar futuramente o caso. Da Hungria, onde está representando o Cade num evento internacional, o conselheiro enviou nota para a imprensa em que afirma ser primo-irmão do ex-ministro Luiz Fernando Furlan que, por sua vez, é acionista da Sadia (os pais de ambos são irmãos). "Eu me declararei impedido, aliás, como fiz nos quatro casos julgados pelo Cade enquanto tenho estado conselheiro e que envolviam a Sadia", afirmou no comunicado. Os quatro casos citados se referem a outras aquisições de empresas e parcerias de negócios feitas pela Sadia em 2007 e 2008. O conselheiro está em seu primeiro mandato e assumiu em janeiro do ano passado.

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