Fusão envolvendo Alstom pode dificultar investigações

As investigações sobre a empresa francesa Alstom, gigante do setor de engenharia de transportes, poderão se transformar em uma verdadeira dor de cabeça para a Justiça da Suíça, da França e do Brasil. Isso porque o governo francês já estuda a fusão da empresa e a criação de um novo grupo. Segundo o jornal francês "Le Canard Enchaine", o plano do governo é o de reunir em um só grupo empresarial a fabricante de plantas nucleares Areva e a Alstom. Na prática, as manobras já estão sendo vistas na Justiça suíça como a criação de obstáculos para as investigações sobre as propinas que a Alstom poderia ter pago em vários países do mundo. A holding seria comandada pelo empresário Martin Bouygues, que ficaria com 35% das ações. O governo teria 18% e o restante seria colocado nas bolsas de valores. Martin Bouygues é hoje o presidente da construtora Bouygues, que controla 30% das ações da Alstom. O empresário é conhecido por sua aliança com o presidente francês Nicolas Sarkozy. Entretanto, nem todos no governo estariam de acordo. Segundo o plano, o valor de cada uma das empresas que participariam da fusão seria de 20 bilhões de euros. O problema é que a França ainda teria de convencer a Alemanha a vender suas ações da Areva para que o negócio possa avançar. Berlim teria se recusado e agora a ofensiva de Paris seria sobre a Siemens, que tem 35% das ações na divisão de reatores nucleares da Areva. De acordo com o jornal, Sarkozy ofereceria em troca um acordo no setor de defesa. Paris convenceria a Alcatel-Lucent a vender suas ações na empresa Thales para a franco-alemã EADS, do setor aeroespacial.

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