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Fusão poderia ter ocorrido há 16 anos

De lá para cá, as duas rivais ensaiaram várias vezes uma união

Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

18 de maio de 2009 | 00h00

Faz pelo menos 16 anos desde que se falou pela primeira vez numa fusão entre Sadia e Perdigão. Na época, a Perdigão era quem estava endividada e prestes a perder o controle familiar. De lá para cá, as companhias cresceram em paralelo, diversificaram os produtos e mantiveram-se de olho uma na outra.Atolada em dívidas em 1993, a Perdigão esteve a ponto de ser desmontada. Entre as interessadas na compra estavam a Avipal, que mais tarde se tornou Eleva e foi comprada pela própria Perdigão, e a Sadia, que tinha um faturamento então cerca de três vezes superior à principal concorrente. Em 1994, a Perdigão foi vendida para um grupo de fundos de pensão de empresas estatais. A partir da profissionalização, a Perdigão iniciou um processo de crescimento que teve como principal suporte a nova planta de Rio Verde (GO). Resultado dessa expansão foi o aumento de valor de mercado da empresa, hoje 35 vezes maior, e da receita líquida, que foi multiplicada por 26.Mesmo com o fortalecimento, o falatório da fusão com a Sadia continuou latente. Ressurgiu em 2002, quando as empresas se uniram para criar a BRF Trading, para exportar carnes congeladas. Dois anos depois, uma reserva de caixa de R$ 2,5 bilhões da Sadia levantou novas suspeitas de uma união entre as empresas. O sinal claro da intenção de compra veio em 2006, quando a Sadia surpreendeu o mercado e fez a primeira oferta pública de mercado no Brasil para adquirir a Perdigão. Depois de recusada a primeira oferta, a empresa chegou a oferecer R$ 3,9 bilhões para adquirir a concorrente, mas foi novamente rechaçada.O episódio ficou marcado pela utilização de informações privilegiadas por executivos da Sadia, que foram punidos por ter negociado ações da Perdigão na Bolsa de Valores de Nova York, dias antes do anúncio da oferta de compra pela Sadia.Depois da perda de R$ 2,6 bilhões em 2008 com derivativos, a Sadia passou a ser o objeto de compra. Em março deste ano, a empresa assumiu em fato relevante que estava negociando uma associação com a Perdigão. Considerada mais arrojada que a rival, a Sadia conseguiu crescer mais rapidamente que a Perdigão. Foi a primeira a vir para São Paulo, em 1947, três anos depois de seu surgimento. Em 1952, a empresa arrendou um avião da então Panair do Brasil para trazer produtos frescos da matriz em Concórdia (SC) para os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro. Essa foi a alternativa logística encontrada numa época em que não havia caminhões frigoríficos. O resultado da experiência foi a criação de Sadia Transportes em 1955, que posteriormente teve o nome mudado para Transbrasil.A consolidação da Perdigão no Sudeste ocorreu em 1962, ano em que a empresa atingiu a marca de 500 aves abatidas por dia para a comercialização na capital paulista. O ponto forte da empresa esteve mais ligado à estrutura produtiva e a relação com os fornecedores. O chester, marca registrada da empresa, foi fruto desses investimentos. Criado em 1979 a partir de uma linhagem de aves que concentram 70% da carne no peito e nas coxas, o produto foi desenvolvido para concorrer com o peru que a Sadia já produzia desde 1973.A primeira a cruzar as fronteiras do País é a Sadia, que a partir de 1975 passa a exportar para o Oriente Médio. A internacionalização da Perdigão começa em 1990 na joint venture com a empresa Persuínos, de Portugal, desfeita um ano mais tarde.PERDIGÃOAnos 30INÍCIO - Em 1934, as famílias Ponzoni e Brandalise abrem um armazém na Vila das Perdizes (SC), a sociedade criaria a empresa Perdigão, anos depois.Anos 40AS PERDIZES - Em 41, muda a identificação visual, criando o logotipo que traz um casal de perdizes. Em 44, é criado o município de Videira (SC) a partir da união das vilas das Perdizes e da Vitória. O município vira a sede da empresa. Em 47, adquire serrarias e entra também no ramo madeireiro.Anos 50ABATES - Inicia o abate de aves, em 55. Em 58, assume a denominação de Perdigão S.A. Comércio e Indústria.Anos 60COMÉRCIO - Em 62, já abate 500 aves por dia, que são comercializadas resfriadas em São Paulo. Em 68, já são 1,5 mil aves abatidas por dia.Anos 70O CHESTER - Em 74, é constituída a Perdigão Rações S.A. A partir de 75, industrializa soja e seus derivados. Em 76, passa a exportar carne de frango para a Arábia Saudita. Em 79, começa a produzir o Chester, com base em matrizes americanas de uma ave especial, que concentra 70% de suas carnes no peito e nas coxas.Anos 80CAPITAL ABERTO - Em 81, abre seu capital e passa a comercializar suas ações em bolsas de valores. Com a aquisição de um frigorífico em Lages (SC), começa a abater bovinos, em 86. Em 87, a segunda geração assume o comando da empresa.Anos 90OS FUNDOS - Em 1991, Saul Brandalise, um dos fundadores da Perdigão, morre em Videira; um ano depois, Angelo Ponzoni, o outro fundador, morre no Rio. Em 94, um conjunto de fundos de pensão assume o controle acionário, encerrando o ciclo familiar.Anos 2000AQUISIÇÕES - Em 2000, compra 51% da Batávia e lança linha de pizzas congeladas. Lança ADR?s em NY. Entre 2000 e 2008 adquire várias empresas.SADIAAnos 40INÍCIO - Fundada por Attilio Fontana em 7 de junho de 1944, a partir da aquisição da S. A. Indústria e Comércio Concórdia. O nome foi composto a partir das iniciais de "Sociedade Anônima" e das três últimas letras da palavra "Concórdia". De um moinho vinham os primeiros produtos: farinha e o farelo de trigo.Em 1946, abatia 100 suínos por dia. Em 1947, abre uma distribuidora em São Paulo.Anos 50PELO AR - Em 1952, o desafio de transportar os produtos frescos para SP e RJ desde Concórdia (SC) levou a empresa a arrendar um avião da então Panair do Brasil para levar produtos frescais da fábrica para a capital paulista e Rio, impulsionando as vendas. Pouco depois, a Sadia virou também uma marca de companhia aérea comercial, que mais tarde foi rebatizada como Transbrasil.Anos 60AMPLIAÇÃO - Em 1961, aumenta abates e produção de frangos, que havia começado, em 1956. Em 1968, supera 1 milhão de aves abatidas. Em 64, abre em São Paulo a primeira unidade industrial de carnes fora de Concórdia, a Frigobrás. Anos 70CAPITAL ABERTO - Abre seu capital em 71. Em 73, inicia a produção e abate de perus. Lança, em 74, o Peru Temperado Sadia. Em 75, passa a exportar frango congelado para o Oriente Médio. Em 79, compra uma fábrica de esmagamento e entra no negócio da soja.Anos 80NO JAPÃO - Em 1980, passa a exportar para o Japão e Hong Kong. Em 1989, morre seu fundador, Attilio Francisco Xavier Fontana.Anos 90MARGARINAS - Em 91, entra no segmento de margarinas com a marca Qualy. Entre 91 e 92, a implanta filiais em Tóquio, Milão e Buenos Aires. Em 1994, abre churrascaria na China. Anos 2000ADRs - Lança, em 2001, ADRs na Bolsa de NY. Em 2005, retoma o abate de bovinos, em seu frigorífico de Várzea Grande (MT) .

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