Fusão pressiona companhias aéreas

Especialistas prevêem uma nova onda de negócios nos Estados Unidos, a começar por United e Continental

Reuters, Chicago, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2008 | 00h00

A fusão das companhias aéreas Delta Air Lines e Northwest Airlines, anunciada na segunda-feira, pode impulsionar outras empresas do setor a buscarem a economia de custos e reconhecimento de marca global necessários para sobreviver no mercado norte-americano, pressionado pelos preços de combustíveis e pela economia fraca. Se a tão aguardada onda de consolidação no setor se concretizar, o negócio mais aguardado seria a fusão entre a United Airlines, uma unidade da UAL Corp., e a Continental Airlines Inc., que estão conversando há alguns meses. A Continental anunciou ontem que vai revisar alternativas estratégicas. Mas pilotos das duas companhias dizem que não apoiariam a fusão, a menos que aprovassem os termos do contrato. Com as condições da indústria tornando-se cada vez mais difíceis - e a Delta melhorando sua posição competitiva -, outras companhias aéreas podem se ver em uma necessidade desesperada por fusões."Certamente vai haver mais pressão para United e Continental procurarem uma união, frente à ameaça da grande fusão entre Delta e Northwest", diz Jim Feltman, um consultor especializado em aviação da Mesirow Financial. "É quase obrigatório, em vez de desejável", afirmou.A indústria da aviação nos Estados Unidos tem sido abatida com o impacto de pesadas despesas com combustíveis, diretamente relacionado com a alta dos preços de petróleo no mundo, que chegou a atingir US$ 114 o barril ontem. As pressões de custos, combinada a uma economia norte-americana enfraquecida, estão forçando as empresas a uma posição complicada, que poderia levar a outro declínio abrupto , semelhante ao ocorrido em 2001, após os ataques às torres do World Trade Center. A Delta e a Northwest anunciaram na última segunda-feira um fusão planejada para formar a nova Delta, a maior companhia aérea de transporte de passageiros do mundo. A receita anual da empresa é estimada em mais de US$ 35 bilhões. Especialistas dizem que outras companhias não conseguiriam se manter enquanto a Delta constrói uma posição mais competitiva e diminui seus custos. O presidente da UAL, Glenn Tilton, disse ontem que concorda com a constatação, mas não acredita que a consolidação seja a única saída para manter a estabilidade."Enquanto a indústria se desenvolve, vamos tomar as medidas necessárias para fortalecer nossa competitividade global, e participar de consolidações quando e se for a escolha que produza os benefícios certos para os empregados, clientes e parceiros", diz Tilton, em mensagem a empregados.Nesse momento, United e Continental estão impedidas de promover a união, já que a Northwest possui uma quota na Continental que restringe os planos de fusão das companhias. Com a fusão com a Delta, porém, a Continental pode se sentir livre para comprar de volta essa participação e buscar uma união por ela mesma."Como dissemos há mais de um ano e meio, preferimos nos manter independentes enquanto o cenário competitivo mantém-se igual", disse o presidente da Continental, Larry Kellner. "Porém, o cenário está mudando." Nenhuma das companhias confirmou as negociações de fusão.POSSIBILIDADESPelo menos um especialista acredita que uma aliança entre UAL e Continental esteja longe de ser inevitável. "Não acredito que isso necessariamente leve a UAL às mãos da Continental", disse Stuar Klaskin, especialista em aviação da consultoria KKC. Ele acredita que a Continental pode explorar outras opções, como a fusão com outras companhias que operam no modelo de baixo custo, como a Alaska Air Group.

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