Fusão Sadia e Perdigão será concluída no último dia do ano

A Sadia S.A. vai ser oficialmente incorporada à BRF, tornando-se apenas uma marca da gigante de alimentos

RAQUEL LANDIM, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2012 | 02h05

No próximo dia 31 de dezembro, a empresa fundada em 1944 por Atílio Fontana, em Concórdia, interior de Santa Catarina, deixa de existir. A Sadia S.A. será incorporada à Brasil Foods (BRF) e, a partir de 2013, torna-se apenas uma marca da gigante brasileira do setor de alimentos.

É o ponto final da fusão entre as rivais Sadia e Perdigão, anunciada em 19 de maio de 2009, e que gerou um dos processos mais polêmicos da história do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A fusão foi aprovada, com restrições, em 13 de junho de 2011.

Até agora, a Sadia era uma subsidiária integral da BRF. A Brasil Foods surgiu com o anúncio da fusão, quando a Perdigão também deixou de existir como empresa e foi incorporada. A BRF foi obrigada a manter a Sadia como uma companhia separada até o julgamento do caso.

Depois da aprovação do negócio, a Brasil Foods concentrou esforços em cumprir as determinações do Cade, que obrigou a empresa a vender um pacote de 10 fábricas e 12 marcas para um concorrente. A BRF mobilizou 200 pessoas para viabilizar o negócio, que foi concluído em dezembro de 2011, com a venda dos ativos para o frigorífico Marfrig.

De acordo com José Antonio do Prado Fay, presidente da Brasil Foods, foi a partir daí que a empresa conseguiu planejar e executar a incorporação da Sadia. "São processos extremamente complexos e a empresa só consegue fazer uma coisa por vez", explicou. A BRF teve, por exemplo, que fechar 212 filiais da Sadia ao redor do País.

Simplificação. Segundo Wilson Newton de Mello Neto, vice-presidente de assuntos corporativos, a incorporação da Sadia vai gerar uma "enorme" simplificação na empresa, embora não existam estimativas do tamanho da redução de custo.

As áreas mais afetadas serão a administrativa e a logística. Não estão previstas demissões. Por exemplo: apenas um caminhão vai transportar produtos Perdigão e Sadia. Hoje, são necessários dois veículos, porque são emitidas duas notas fiscais.

Durante décadas, a Sadia foi uma das maiores companhias do Brasil. Luiz Fernando Furlan, herdeiro da empresa e neto de Atílio Fontana, ocupou o posto de ministro do Desenvolvimento no governo Lula. A marca Sadia é hoje a principal da BRF.

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