Fusões de empresas são desafio para os executivos

Profissionais que ficam nos grupos têm de se adaptar a um novo estilo de comando

Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2009 | 00h00

Para muitos executivos, o ideal de uma carreira estável e longa numa mesma companhia está tendo de ser reformulado no momento atual, marcado por grandes fusões e aquisições. As grandes negociações trazem novos desafios para os profissionais, que têm de se adaptar a uma mudança de cultura na empresa. A união entre empresas frequentemente também vem acompanhada de cortes nos quadros administrativos, o que traz a necessidade de recolocação profissional. Em ambos os casos, a capacidade de adaptação é fundamental para manutenção da empregabilidade, diz o consultor Gustavo Parise, da empresa especializada no recrutamento de executivos Michael Page. "Todo profissional tem de estar preparado para comprar ou ser comprado." Segundo ele, o primeiro passo para essa preparação é se manter atualizado com a participação de cursos e o constante contato com o mercado. "Em todo processo de fusão, há inicialmente uma avaliação muito minuciosa das pessoas mais capacitadas. Por isso, é importante não ficar acomodado para se manter na empresa." Outro ponto fundamental é concentrar-se no trabalho. "Sempre que uma empresa é foco de uma negociação, há muito boatos e isso pode ser bastante dispersivo. É importante que as pessoas mantenham o comprometimento com a empresa, mesmo nesses momentos." Frequentemente, também é preciso adaptar-se a novos procedimentos. O diretor de marketing da seguradora Assurant Automotive Intelligence, Carlos Elias Simão, teve de se acostumar com padrões de uma grande multinacional, depois que a companhia em que trabalhava foi adquirida pela seguradora. "Os procedimentos exigem mais autorização, são mais lentos. Não temos aquela agilidade de uma empresa pequena", afirma. Simão era diretor da consultoria automotiva Rolim Consultant, que tinha 15 funcionários. No fim de 2007, a empresa foi adquirida pela Assurant, uma multinacional americana com 13 mil funcionários em vários países. Além dos novos procedimentos, Simão teve de auxiliar a adaptação de seus subordinados à nova realidade. "É preciso ser muito transparente nesses momentos." Simão diz que depois de um ano todo de trabalhos e treinamento, a equipe está completamente adaptada. "A fusão foi positiva para nós e abriu a possibilidade de uma carreira internacional", avalia.Parise diz que a união entre empresas deve ser vista como uma oportunidade. Ele cita o caso da compra da rede varejista Ponto Frio pelo Grupo Pão de Açúcar, empresas que atende como gerente da divisão de marketing e varejo da Michael Page. "O Ponto Frio terá maior valor de mercado e vai ter a possibilidade de retomar os investimentos. As pessoas que ficaram na empresa vão ter uma oportunidade de crescimento na carreira."Segundo ele, executivos que foram cortados por causa da sobreposição de cargos têm conseguido a recolocação profissional. Nesse processo, as pessoas com mais capacidade de adaptação a novas áreas têm mais chances. "É preciso ser flexível e também olhar para os diferentes segmentos que estão com mais oportunidades." A experiência multicultural e a possibilidade de mudança física para outros países ou cidades também são vantagens na hora da recolocação.

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