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Fusões de farmácias chegam ao Norte

As duas maiores redes do Pará, Big Ben e Extrafarma, negociam união e também estão na mira da Brazil Pharma, do BTG Pactual

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2011 | 03h06

A consolidação do setor de farmácias não parou nos negócios anunciados nos últimos meses no Sudeste. As duas principais redes do Pará, Big Ben e Extrafarma, negociam uma fusão. Caso o negócio se concretize, apurou o 'Estado', ele resultaria na criação de uma força regional com mais de 300 lojas e faturamento de cerca de R$ 1,7 bilhão.

Empresas familiares, Big Ben e Extrafarma teriam superado uma longa história de rivalidade para fechar um contrato preliminar de fusão no último dia 18. Segundo fontes próximas à negociação, o contrato prevê um prazo de 20 dias para que as partes definam se a união das duas redes será ou não possível - a decisão, portanto, seria tomada até o início de novembro.

Se as empresas não conseguirem acertar a união, é possível que a Brazil Pharma, empresa do BTG Pactual que investe no setor, compre uma das duas redes. Segundo o Estado apurou, a Brazil Pharma estava em negociações avançadas com a Extrafarma e foi pega de surpresa, na semana passada, com a decisão da rede em iniciar conversas com a Big Ben.

A Brazil Pharma teria oferecido R$ 260 milhões pelo controle da Extrafarma no mês passado. Os donos da rede paraense, porém, tentavam elevar o preço para R$ 400 milhões. "A negociação estava em curso, mas o BTG estava disposto a melhorar sua oferta", informou uma fonte envolvida na negociação.

A Extrafarma poderia vir a ser usada pelo BTG como uma plataforma de expansão de seu negócio de farmácias no Norte e também no Nordeste. Bandeiras já adquiridas, como a nordestina Guararapes, poderiam ser renomeadas - por fugir do perfil de farmácia popular, as lojas da Extrafarma têm faturamento individual maior. Os atuais proprietários da rede paraense continuariam à frente do dia a dia do negócio e seriam os responsáveis pela gestão operacional da estratégia de expansão.

Caso o negócio entre a Big Ben e a Extrafarma não saia, a aposta do mercado é que a Brazil Pharma não tenha problemas em comprar uma ou outra - apesar de o braço de farmácias do BTG Pactual vir tendo dificuldades em seu projeto de crescimento, depois das diversas fusões que ocorreram no setor.

Atualmente, as duas maiores redes do País - resultantes da união de Drogaria São Paulo com a Pacheco e da Droga Raia com a Drogasil - faturam mais de R$ 4 bilhões ao ano. Com as quatro marcas que já tem - incluindo a rede de franquias Farmais -, a Brazil Pharma soma receitas anuais de R$ 1,1 bilhão. A meta é comprar uma rede de médio porte para se tornar mais relevante no atual cenário. O faturamento da Extrafarma, com 180 lojas, ficou em cerca de R$ 800 milhões em 2010.

A aposta é que o BTG retome conversas com a Extrafarma caso a fusão não decole. "Mas o espaço para subir a oferta deverá ser menor", diz uma fonte. Além disso, a Big Ben, até agora em segundo plano para o banco, pode ser alçada a alvo principal. Procurada, a Big Ben disse que negocia uma fusão, mas se recusou a fornecer detalhes. Extrafarma e BTG não se pronunciaram.

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