Fusões e aquisições de corretoras de seguros

Com alguns setores da economia seriamente ameaçados pelos prejuízos galopantes, os corretores de seguros podem passar por dificuldades muito sérias

Antonio Penteado Mendonça, O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2015 | 03h00

Ao longo dos últimos anos, o mercado assistiu a várias aquisições e algumas fusões de corretoras de seguros. Não cabe aqui discutir os resultados do que foi feito, mas sim, analisar a pertinência ou não deste tipo de ação.

Em época de crise, criar sinergias é sempre positivo. Da mesma forma que cortar despesas. O Brasil está vivendo uma crise que transcende tudo o que aconteceu no passado. As nossas crises costumavam ser econômicas, com algumas exceções enveredando pela seara da política. Esta é uma crise completamente diferente. É uma crise moral, decorrente do esgarçamento da malha ética da nação, levado a efeito ao longo dos últimos 12 anos pelo PT e seus aliados.

A consequência mais visível é a ação espetacular da Polícia Federal, em cumprimento a ordens emanadas da Justiça Federal, levando presas pessoas que até poucos anos atrás estariam acima do bem e do mal. Mas há mais e afeta diretamente a vida empresarial. A crise econômica, com a inflação acima de dois dígitos, é dramática para todo o País, sem exceção. E o dado apavorante é que a fraqueza política e falta de liderança do governo só complica a situação, num momento em que todos os indicadores do País estão francamente negativos e com pouca chance de recuperação rápida.

Este é o cenário em que as fusões e aquisições de corretoras de seguros deve ser analisado. Com alguns setores econômicos praticamente destruídos e outros seriamente ameaçados pelos prejuízos galopantes, os corretores de seguros podem passar dificuldades muito sérias, sem terem feito nada para isso.

Imagine uma corretora que tem como principais clientes quatro ou cinco empresas de porte médio. Até antes da crise, elas geravam seguros patrimoniais, seguros dos veículos da empresa e dos veículos dos funcionários, seguros de vida e acidentes pessoais da empresa, seguros de vida e acidentes pessoais comprados em complemento pelos funcionários, planos de saúde privados, planos de previdência complementar e outros seguros para diferentes necessidades contratados pelos funcionários e seus familiares.

Veio a crise e três ou quatro dessas empresas simplesmente não aguentaram o tranco e fecharam as portas, ou porque quebraram, ou porque os proprietários enjoaram de perder dinheiro. Sem qualquer culpa por ação ou omissão, a corretora de seguros simplesmente perdeu 90% de sua receita. Ou seja, ela tem o risco real de quebrar.

Esta situação, inclusive com outros desenhos, é menos rara do que pode parecer. É aí que uma fusão com outra corretora, ou outras corretoras, pode ser uma solução muito inteligente. Ninguém está nadando de braçada no segmento. De uma forma ou de outra, a crise está cobrando seu preço. Então, por que não reduzir custos juntando as áreas administrativas de várias corretoras numa única estrutura? Por que não aumentar o poder de fogo junto às seguradoras somando as produções? Por que não investir em habilidades e competências que se complementam?

Se houver sinergia, empatia entre os sócios, planejamento estratégico compartilhado, divisão de funções, especialidades e captação de seguros e, o mais importante, culturas mais ou menos semelhantes, a fusão pode ser um caminho vitorioso e uma solução inteligente, não apenas para superar a crise, mas para depois dela, quando o setor voltar a crescer rapidamente. O ganho de escala será a mola mestre.

Já a aquisição de corretoras de seguros pode ser mais problemática. Com a compra e a mudança do corretor que atende o segurado, pode haver uma debandada dos clientes. A corretora adquirida pode ser mal avaliada, não apenas em relação à sua capacidade de produção, mas também em relação à sua situação econômica; o antigo dono passa a não ter mais nada com ela etc.

Mas isto não é uma regra definitiva e imutável. Pode acontecer exatamente o oposto e eu seria acusado de avaliar mal o mercado. Por isso, cada caso é um caso e compete aos envolvidos fazer a avaliação do que está na sua frente.

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