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Fusões e aquisições devem aumentar em 2016, prevê Anbima

Os anúncios de fusões e aquisições, ofertas públicas de aquisições de ações e reestruturações societárias, somaram R$ 57 bilhões nos primeiro trimestre, alta de 128% em comparação a igual período de 2015

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2016 | 18h34

SÃO PAULO - No primeiro semestre, os anúncios de fusões e aquisições, ofertas públicas de aquisições de ações (OPAs) e reestruturações societárias, somaram R$ 57 bilhões, alta de 128% em comparação a igual período de 2015, conforme o boletim da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). Segundo o coordenador do subcomitê de Fusões e Aquisições da Anbima, Ubiratan Machado, 2016 mostra uma tendência positiva, após um ano de baixa movimentação marcado pelo cenário de incertezas.

"Vemos um acréscimo no volume de operações relevante e vamos ver uma recuperação sólida em relação a 2015", afirmou, citando algumas das operações já anunciadas a partir de julho, como Kroton e Estácio. "Temos sentido o mercado em geral mais otimista em relação às perspectivas do País", acrescentou durante conferência com jornalistas. Segundo ele, esse ambiente mais favorável, de confiança na estabilização da economia, vai provocar alta no volume de operações no segundo semestre em relação ao primeiro.

No ano, Machado estima que sejam anunciadas entre R$ 120 bilhões e R$ 160 bilhões em transações de fusões e aquisições. Embora superior ao ano passado, o número é ainda inferior ao registrado em 2014, quando foram anunciadas R$ 192,7 bilhões de transações.  

Machado acredita que embora haja otimismo, os investidores aguardam por sinais de estabilidade. "Não há confiança cega, existe ambiente de confiança e otimismo sujeito aos sinais de que o governo realmente conseguirá aprovar a agenda de reformas e aos sinais de estabilidade, política e econômica", ressaltou. Para Machado, embora a expectativa seja de que o pior já tenha ficado para trás, a recuperação nos números referentes às transações será gradual.

"Esperamos a conclusão de operações na esteira da Lava Jato e da Petrobras, mas temas novos, relacionados à consolidação, estão ainda ocorrendo de forma pontual", ponderou. Machado destacou que nesse sentido, muitas das operações não envolvem o mercado de capitais e a participação dos fundos de private equity caiu.

Machado chamou atenção ainda para o fato de a maior parte das operações realizadas por estrangeiros terem se concentrado entre os investidores europeus e norte-americanos, estando em 80% das transações de M&A anunciadas. "Já esperávamos por isso, uma vez que o câmbio mudou de patamar e as empresas estrangeiras, que têm liquidez, acesso a recursos de longo prazo e querem estar no Brasil, encontraram patamar mais acessível de preço das empresas brasileiras", observou.

Ele acredita que os asiáticos, presentes em 12,5% das transações anunciadas, devem aumentar participação nas operações a partir dos próximos semestres. "Esperamos que haja presença maior de capital asiático e, especialmente da China, em outros setores além do elétrico", afirmou. 

O boletim da Anbima destaca que houve um menor número de operações anunciadas entre janeiro a junho deste ano, que somaram 38, contra 50 do primeiro semestre de 2015. O documento cita como destaque a fusão da BM&FBovespa com a Cetip, que movimentou R$ 12 bilhões e foi a única operação acima de R$ 10 bilhões no semestre. Aparecem ainda como destaque a venda da BSI S.A para a EFG Internacional pelo BTG Pactual, no montante de R$ 5,3 bilhões, e a compra das operações de nióbio e fosfato da Anglo American pela China Molybdenum.

Aquisições Brasileiras.

As aquisições entre empresas brasileiras responderam pela maior parte das operações, com volume de R$ 29,8 bilhões, o equivalente a 52,4% do total, diz a Anbima. Em segundo lugar estão as aquisições de empresas brasileiras por companhias estrangeiras, no valor de R$ 15,8 bilhões.

Segundo a associação, no que diz respeito à origem do capital, as aquisições por parte das estrangeiras foram lideradas por empresas europeias (50% do total), seguidas de companhias norte-americanas (25%) e asiáticas (25%). Já as aquisições entre empresas estrangeiras movimentaram R$ 5,2 bilhões no semestre, enquanto as aquisições de empresas estrangeiras por brasileiras somaram R$ 4,1 bilhões.

No período, o setor financeiro foi o líder tanto em relação ao volume quanto ao número de operações, com participações de, respectivamente, 41,5% e 21,3% do total, seguido do setor de petróleo e gás, com peso de 13,3% e 7,9%. No semestre, contudo, foi baixa a participação dos fundos de private equity nas operações de fusões e aquisições. Dos 38 anúncios do semestre, os fundos participaram em apenas cinco operações, sendo três com investimentos e duas com desinvestimentos, com volume total de R$ 2,4 bilhões. 

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