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Fusões e aquisições movimentam US$ 1,8 tri no ano

Mercado atingiu no primeiro semestre o maior nível desde a crise financeira global; volume já é 70% superior ao do ano passado

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2014 | 02h04

NOVA YORK - O mercado de fusões e aquisições passa por um "boom" este ano e o ritmo de negócios até agora já é o maior desde 2007, voltando para os níveis pré-crise crise financeira global. As perspectivas de recuperação da economia mundial e dos EUA, o aumento da confiança dos empresários, as companhias com o caixa cheio de recursos e crédito a juros próximos de zero impulsionaram as transações.

No primeiro semestre deste ano, elas movimentaram US$ 1,8 trilhão no mundo - 70% mais que no mesmo período de 2013, de acordo com levantamento da consultoria Dealogic. Foram anunciadas 18 mil fusões e aquisições este ano. A maior parte das operações foi feita nos EUA. A S&P Capital IQ, empresa de dados da agência de classificação de risco Standard & Poor's, calcula que os negócios no país chegaram, na primeira metade do ano, a US$ 852 bilhões, quase o total anunciado em todo o ano passado.

A expectativa dos especialistas é de que o ritmo continue forte nos próximos meses. Nos EUA, as projeções de crescimento sinalizam uma maior recuperação da atividade a partir do segundo trimestre, depois do fraco início de ano. Além disso, o vice-presidente e economista-chefe da associação The Conference Board, Bart van Ark, destaca que a confiança dos empresários, em indicadores calculados pelo próprio instituto, vem aumentando mês a mês, o que sinaliza que eles estão mais dispostos a fazer novos negócios e a investir.

O economista projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, depois de encolher 2,9% no primeiro trimestre, cresça 3% no segundo trimestre de 2014 e continue nesse ritmo até o fim do ano. Além das perspectivas melhores para a economia, as empresas estão com caixa folgado e acesso barato a empréstimos bancários para financiar operações por causa dos juros próximos de zero nos países desenvolvidos.

A S&P estima que as 2 mil maiores companhias do mundo tenham em torno de US$ 4,5 trilhões em caixa, em valores brutos. Em julho, apesar de ser um mês de férias de verão no Hemisfério Norte, os negócios seguem aquecidos e diversas operações já foram anunciadas. Uma das maiores foi a farmacêutica norte-americana AbbVie, que comprou a irlandesa Shire por US$ 54 bilhões.

Segundo a Dealogic, só no primeiro semestre ocorreram 20 transações avaliadas em mais de US$ 10 bilhões cada. Entre elas, o Facebook comprou o Whatsapp por US$ 19 bilhões, a operadora de telefonia AT&T adquiriu a DirectTV por US$ 48,5 bilhões e a Comcast ofereceu US$ 45 bilhões pela Time Warner Cable. Também aumentou o número de ofertas hostis ou não solicitadas - quando o comprador anuncia uma proposta sem consultar a diretoria da empresa na qual tem interesse. Esse tipo de negócio atingiu os maiores níveis desde 2007.

"Historicamente, o crescimento das fusões e aquisições tem sido um fator favorável porque normalmente coincide com uma tendência mais positiva para a atividade econômica e a confiança dos agentes", disse o diretor financeiro do Goldman Sachs, Harvey Schwartz, na teleconferência de resultados do banco. Segundo ele, o aquecimento das fusões tem ajudado a melhorar os resultados dos bancos de investimento de Wall Street e escritórios de advocacia. No Goldman Sachs, por exemplo, banco que mais assessorou essas operações no primeiro semestre, as receitas cresceram 15% no segundo trimestre na comparação com o mesmo período de 2013. No Morgan Stanley, a expansão foi de 25,5% na receita com assessoria a negócios.

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