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Futura CEO da IBM tem a autoconfiança recompensada

A ascensão de Virginia Rometty ao longo de 30 anos por cargos importantes derruba estereótipos no mercado de trabalho

CLAIRE CAIN MILLER, NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2011 | 03h07

No início de sua carreira, Virginia M. Rometty, a futura CEO da IBM, recebeu a proposta de um cargo muito importante, mas achou que não teria experiência suficiente para a nova função. Então disse ao recrutador que precisaria de tempo para pensar. Naquela noite, seu marido perguntou: "Você acha que um homem teria respondido a essa proposta dessa maneira?"

"Isso me ensinou que você precisa ser muito autoconfiante, mesmo que intimamente você tenha dúvidas sobre o que sabe ou não", ela contou, este mês, na Cúpula das Mulheres mais Poderosas da Fortune. "E isso implica assumir riscos."

Sua ascensão ao longo de 30 anos por cargos importantes na IBM deu-se numa época em que as mulheres ingressavam às dezenas nas empresas americanas - e algumas delas, como Virginia, chegaram ao topo. "As mulheres que estão virando CEO agora começaram sua carreira no início dos anos 80", diz Ilene H. Lang, diretora da Catalyst, uma empresa de pesquisa para mulheres e empresas. Entretanto, o fato de o gênero de Virginia continuar chamando a atenção da imprensa também mostra que as empresas ainda têm um longo caminho a percorrer.

A promoção de Virginia também revela algo a respeito da IBM e da sua filosofia empresarial, que valoriza a diversidade. As companhias mais importantes com mulheres em altos cargos executivos - como a IBM, Hewlett-Packard, PepsiCo. Kraft Foods, DuPont e Xerox - são algumas das mais antigas do país. Surpreendentemente, as empresas mais novas estão atrasadas nesse aspecto, afirma Jeffrey A. Sonnenfeld, fundador do Chief Executive Leadership Institute da Yale School of Management.

Engenheira. A promoção de Virginia é particularmente significativa porque ela passou toda a sua carreira na IBM, em cargos técnicos, de elaboração de estratégias e vendas, diz Rosabeth Moss Kanter, professora da Harvard Business School. Quando ela começou a analisar essas questões, há 30 anos, as mulheres em cargos mais altos trabalhavam em geral em três setores específicos das empresas: pessoal, compras e relações públicas.

Virginia começou na IBM como engenheira de sistemas, em 1981, com um diploma em ciências da computação e em engenharia elétrica. Atualmente é vice-presidente sênior de vendas, marketing e estratégia. "Sua ascensão ao cargo de CEO é emblemática. As mulheres podem ter acesso a qualquer oportunidade, subindo degrau após degrau da maneira tradicional, em vez de serem contratadas para postos inusitados", diz Kanter.

Um relatório de pesquisa da Catalyst, publicado este mês, concluiu que as mulheres que fizeram carreira numa única companhia são mais bem-sucedidas porque puderam provar sua capacidade e encontrar patrocinadores que as chamaram para exercer funções cruciais.

"Conseguir isso dentro da companhia, com seus colegas, é um pouco diferente de cair de paraquedas, como Carly Fiorina ou Meg Whitman, de fora, onde talvez elas só parecem boas porque ninguém as conhece", diz Kanter, referindo-se à ex-diretora executiva da HP e sua atual diretora executiva.

Entretanto, segundo especialistas, a IBM tem fama de promover a diversidade. "A companhia está consciente de sua capacidade de competir no mercado de hoje e de ganhar dinheiro por defender a diversidade", afirmou Caroline Simard, vice-presidente de pesquisa no Anita Borg Institute for Women and Technology, que este ano destacou a IBM como a companhia mais importante para as mulheres em altos cargos técnicos. "É realmente um imperativo da economia, e não apenas uma responsabilidade de RH. Mulheres como Ginni Rometty são um potente antídoto contra o estereótipo." / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

A IBM contratou as suas primeiras profissionais em 1935. Em 1943, nomeou uma mulher ao cargo de vice-presidente. Ela instituiu a licença-maternidade de três meses em 1956 - 37 anos antes de ser transformada em lei.

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