Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Futuro da Cemig une adversários mineiros

Empresa foi criada há 65 anos por iniciativa do então governador do Estado Juscelino Kubitschek

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Criada há 65 anos por iniciativa do então governador do Estado Juscelino Kubitschek, a Cemig está tão associada à imagem de Minas Gerais que conseguiu unir até mesmo adversários como o governador Fernando Pimentel (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB) em sua defesa. Pimentel criou a campanha publicitária “Mexeu com Minas, mexeu comigo”. Já Aécio se reuniu com o presidente Michel Temer para tentar interceder a favor da companhia.

A bancada mineira no Congresso também tem se movimentado intensamente pela causa. Um dos mais ativos é o vice-presidente da Câmara, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG). Coordenador da bancada mineira no Congresso, ele promete retaliar e votar contra todos os projetos do governo Temer caso o pleito da empresa não seja atendido.

Em julho, políticos e empresários publicaram uma carta aberta nos jornais para protestar contra o leilão. A carta foi assinada por Pimentel e por prefeitos mineiros, além de representantes do setor privado, como o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado.

Além do grande risco de perder quase 40% da sua capacidade de geração de energia, a Cemig pode ter de encarar outro problema enorme envolvendo as usinas de Jaguara, São Simão e Miranda.

O governo Michel Temer quer que a empresa devolva todo o dinheiro que recebeu com a venda da energia dessas três usinas nos últimos três anos. A questão promete gerar um embate de anos nos tribunais. A estimativa é que a Cemig tenha lucrado R$ 3 bilhões vendendo energia dessas usinas. Esse dinheiro seria revertido para reduzir as tarifas de energia./ A.W.

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