Futuro da GM em São José dos Campos continua incerto

Empresa marca nova reunião para o dia 4 de agosto. Até lá, fechamento da unidade e demissões estão suspensos

Gerson Monteiro, especial para o Estado,

25 de julho de 2012 | 15h16

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - Após uma reunião de pouco mais de três horas, intermediada pelo Ministério do Trabalho, a General Motors e o Sindicato dos Metalurgicos de São José, marcaram um novo encontro para o dia 4 de agosto. Eles voltarão a discutir a questão da fábrica do Vale do Paraíba e se haverá ou não demissões. Até lá, a empresa se comprometeu a não demitir, mas mantém o discurso de que precisa diminuir o pessoal.

Segundo Luiz Carlos Prates, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, "a empresa mantém a posição de cortar o pessoal excedente". No encontro, a direção da GM argumentou que até o fim do ano deixará de fabricar a Meriva e o Corsa, hoje produzidos na planta local. Na semana passada, a montadora já encerrou a produção da Zafira.

"Eles dizem que é antieconômico fabricar o Classic em São José dos Campos", conta Prates. Atualmente, a unidade produz 50 unidades por dia, o objetivo é deixar a produção local com 20 unidades.

A reunião de hoje contou com a participação de aproximadamente 20 pessoas e durou três horas.

Uma assembleia na sede do sindicato deve acontecer ainda na tarde desta quarta-feira com a participação dos metalúrgicos. Manifestações também estão previstas para o decorrer da semana na cidade.

A GM ameaça fechar o setor de montagem de veículos automotores (MVA) e a demissão de aproximadamente 2 mil funcionários, entre os metalúrgicos do MVA e outros setores. Mais de 350 funcionários já foram demitidos no último mês, por meio de um programa de demissão voluntária (PDV).

A decisão mais temida era que a General Motors anunciasse o fechamento da linha de montagem dos modelos Corsa, Classic e Meriva, com demissão de trabalhadores. A decisão viria em um momento em que a indústria automobilística é beneficiada por incentivos fiscais, concedidos pelo governo federal para ajudar o setor a recuperar vendas e manter o nível de emprego.

Setor beneficiado

Hoje a produção está funcionando normalmente. Ontem, a empresa havia decidido fechar toda a fábrica e manter em licença remunerada os 7,5 mil empregados, ação vista pelo Sindicato dos Metalúrgicos como locaute. Foram colocadas barreiras impedindo a passagem. A GM informou que a medida foi para "proteger a integridade física dos colaboradores" enquanto negocia com os representantes sindicais a viabilidade de uma das fábricas do complexo, que tem ao todo oito unidades.

Uma das razões da dispensa seria o receio de uma ocupação da fábrica, a exemplo do que ocorreu em 1985. O Sindicato dos Metalúrgicos negou a informação. "Em nenhum momento pensamos nisso", disse o dirigente Luiz Carlos Prates.

"O setor não vive crise, há uma expectativa de venda maior que no ano passado", ressaltou Antonio Ferreira de Barros, presidente do sindicato, que é ligado à central Conlutas. "É inaceitável que a empresa receba dinheiro do governo federal e demita."

No encontro de hoje, o sindicalista iria propor a transferência de toda a produção do Classic (feito também nas fábricas de São Caetano do Sul e na Argentina) para São José, medida que não demandaria investimento nem demissões.

O Ministério da Fazenda, que aprovou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor no fim de maio, não quis comentar o tema ontem.

 

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