Futuro determina a escolha de planos de aposentadoria privada

Para optar entre PGBL e VGBL, poupador deverá imaginar como será sua situação financeira daqui a vários anos

Vinicius Pinheiro, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 00h00

O investidor que deseja incluir um plano de previdência privada no planejamento financeiro já deve ter deparado com duas siglas bem semelhantes: PGBL e VGBL. É preciso optar entre uma delas no momento de aplicar os recursos. O dilema se agrava porque a escolha depende não apenas da situação financeira atual, mas também daquela esperada no futuro, quando os benefícios começarem a ser sacados. Leia o estudo ?10 perguntas e respostas sobre fundos de previdência no Brasil?A principal diferença entre os dois tipos de plano diz respeito ao tratamento tributário. As aplicações no PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres) podem ser deduzidas do Imposto de Renda (IR) da pessoa física até o limite de 12% da renda bruta anual, para quem realiza a declaração pelo modelo completo.Não é por acaso que nesta época do ano costuma aumentar a corrida por aplicações em PGBL de investidores que procuram escapar da mordida do Leão. Em contrapartida, a tributação incidirá sobre o valor total dos recursos no momento do saque, enquanto no VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres) apenas os rendimentos pagam IR. O suposto ganho fiscal é freqüentemente usado como apelo de venda. No entanto, segundo Marcelo D?Agosto, diretor do site financeiro Fortuna, o fato de as aplicações no PGBL serem dedutíveis do IR, por si só, não significa um benefício fiscal. "No PGBL, o investidor deixa de pagar o Imposto de Renda hoje para pagá-lo no futuro e, no VGBL, paga o imposto hoje e não paga no futuro", resume o especialista, em estudo exclusivo feito a pedido da revista Estadão Investimentos.Para tirar vantagem do PGBL, o poupador deve ser suficientemente disciplinado para sempre investir o que for deduzido do IR e conseguir, com essa parcela de aplicações, rentabilidade superior à da previdência privada. Assim, honrará o IR no futuro, no momento do saque, e ainda terá sobras.Conforme D?Agosto, é possível obter ganho tributário efetivo em situações específicas, que consideram não apenas o momento atual, como também a expectativa dos rendimentos no futuro. Mas não se trata de uma conta simples. A "regra de bolso" que costuma ser adotada para a escolha da melhor opção diz que o PGBL é indicado para quem declara IR pelo modelo completo e não tenha excedido o limite de 12% de abatimento sobre a renda bruta anual. Já o VGBL aparece como a melhor escolha para quem faz a declaração pelo modelo simplificado ou não é tributado na fonte, como os autônomos.TRIBUTAÇÃOMas o benefício fiscal dependerá ainda da opção pela tabela de IR mais adequada ao investidor. Existem duas opções: a chamada tabela progressiva, que segue as regras do IR de pessoa física, e a cobrança decrescente conforme o prazo do investimento - conhecida como tabela regressiva (ver quadro). Para quem planeja acumular recursos para obter uma renda maior no futuro ou fazer o resgate total do plano após dez anos, a tabela regressiva é a mais indicada, segundo D?Agosto. Já quem pretende fazer saques menores - abaixo da linha de isenção do IRPF - e periódicos ao longo do tempo, a tabela mais apropriada é a progressiva, avalia o especialista.Existem ainda casos em que a previdência pode ser um mau negócio. Isso ocorre basicamente quando o investidor que optou pela tabela regressiva resgata os recursos antes de seis anos. Para quem possui um produto com a alíquota progressiva, a pior situação ocorre quando existe a necessidade de fazer o saque total da aplicação, o que pode levar a uma tributação nas faixas mais altas.De acordo com o diretor da Caixa Vida e Previdência, Juvêncio Braga, um dos focos do trabalho da instituição tem sido analisar o perfil de cada cliente para auxiliá-lo, com o uso de simuladores de aplicação, na escolha da melhor opção. "O cliente está preocupado com a rentabilidade líquida, e o componente fiscal torna a previdência bastante atraente", avalia.DIFERENÇAMas, para o diretor do Fortuna, mesmo com os possíveis ganhos fiscais, a aplicação em previdência depende - e muito - da rentabilidade do fundo no qual o plano aplica os recursos. Para ter uma idéia, um investidor que fizer depósitos em um PGBL ou VGBL de R$ 250 por mês, com retorno de 5,5% ao ano, terá acumulado, após 30 anos, uma reserva de R$ 223 mil. Caso o fundo tenha rendimento de apenas um ponto porcentual a mais - ou seja, de 6,5% ao ano -, o valor saltará para R$ 267 mil no mesmo período, o que representa aumento de 20%.No período de 12 meses encerrado em outubro, os planos que investiram também em fundos com renda variável (principalmente ações) tiveram melhor rendimento do que aqueles que aplicaram apenas em fundos DI e de Renda Fixa. O retorno médio dos fundos multimercados usados pelos planos de previdência foi de 20,8%, comparado com menos de 11% dos fundos DI e de Renda Fixa, de acordo com o site Fortuna. Mas o poupador que escolhe um plano de previdência com renda variável deve tolerar rendimento oscilante e até eventuais perdas no capital investido.Outro fator no qual o investidor deve ficar de olho são as taxas de carregamento e administração dos planos, que também reduzem o ganho líquido. A primeira incide sobre cada depósito do investidor e varia de acordo com o valor da contribuição ou do total da reserva já constituída pelo cliente, enquanto a taxa de administração incide sobre o patrimônio líquido do fundo de investimento que recebe os recursos do plano.

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