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Futuro do abastecimento de gás preocupa governo de SP

O Estado de São Paulo precisará de 10 milhões de metros cúbicos de gás por dia a mais do que o volume que consome hoje - 14,5 milhões de metros cúbicos por dia - e o governo paulista já manifesta preocupação com a matriz energética para os próximos anos, especialmente após a Petrobras ter decidido reduzir o fornecimento do insumo para o Estado e para o Rio de Janeiro, na semana passada. A medida foi adotada para atender a um termo de compromisso com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), cujo objetivo é garantir o fornecimento de gás para as usinas termelétricas, conhecido como despacho por mérito.A secretária estadual de Saneamento e Energia, Dilma Pena, disse hoje não ter certeza se os planos da Petrobras para a produção de gás no futuro serão de fato realizados. "Há um plano arrojado da Petrobras para a produção de gás, mas não temos evidência, e também não temos informação oficial quanto aos cronogramas de implantação daquele plano. Eu não tenho informação ou evidência de que estão sendo cumpridos. Então aí fica uma dúvida", disse ela, durante o seminário "Desafios e Perspectivas da Infra-Estrutura no Estado de São Paulo", realizado pela Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib)."Nessa crise, houve um déficit de 3 milhões de metros cúbicos de gás por dia. E uma coisa é certa: no ano que vem, vamos precisar de mais 10 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Então é um cenário preocupante, sem dúvida", acrescentou.A secretária afirmou que o governo estadual pleiteia uma participação maior nas discussões sobre a matriz energética, tendo em vista que o Estado consome 30% de toda a energia gerada no País. "Por exemplo, nessa questão da crise do gás. Por ordem de mérito, eles vão despachando e nós não sabemos quem vai ficar com gás e quem vai ficar sem gás. Isso não é concebível", defendeu. A titularidade do serviço, exceto a distribuição do gás canalizado, cuja titularidade é do Estado, é do governo federal e de órgãos como a Aneel, Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Agência Nacional do Petróleo (ANP), Petrobras e Ministério das Minas e Energia.ComgásTambém presente ao evento, o presidente da Comgás, Luiz Augusto Domenech, não poupou críticas ao governo e à Petrobras devido à redução de fornecimento de gás natural para os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, na semana passada. "Eu assumo a responsabilidade de ter acreditado nos planos de massificação de gás, de ter sido muito eficiente, de ter investido mais de R$ 2 bilhões, de ter distribuído mais gás e de ter negociado com o único distribuidor de gás do Brasil", disse ele. "Sim, somos responsáveis por termos sido uma empresa eficiente na área de energia", acrescentou.Ele não escondeu suas preocupações em relação ao fornecimento de gás no futuro. "Na semana passada faltaram 3 milhões de metros cúbicos por dia. Essa foi talvez a primeira crise. Quiçá muitas mais virão ainda", declarou. Na avaliação de Domenech, ao evitar ao máximo a reedição de um apagão elétrico, o governo federal ignora a forte possibilidade de ocorrência de um apagão energético. "Quiçá não teremos um apagão elétrico, mas energético." Para ele, as causas dos problemas nessa área se devem ao modelo energético brasileiro, que prioriza o custo mais baixo possível do kWh e a impossibilidade de haver um apagão elétrico."Subordinar a cadeia de gás à cadeia elétrica é uma forma totalmente improdutiva e ineficiente de se administrar o sistema. Isso que estamos enfrentando agora é uma conseqüência da forma com que gerenciamos a matriz energética", criticou.A solução, segundo ele, passa por atrair o setor privado nas discussões e na produção de gás e energia. "Permitam ao setor privado trabalhar, investir e compartilhar essa experiência, muitas vezes internacional, e acompanhar os planos do governo", apelou.

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