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'Futuro do mercado financeiro é a jornada digital', diz presidente do Next

Concorrência vai além de bancos e fintechs, incluindo também varejistas e gigantes da tecnologia, diz executivo; com 4 milhões de clientes atualmente, Next quer encerrar 2021 com 7 milhões de correntistas

Entrevista com

Renato Ejnisman, presidente do banco digital Next

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 05h00

Atuando há 14 anos no Bradesco, o executivo Renato Ejnisman ganhou uma nova missão no conglomerado. O executivo se tornou o primeiro presidente do banco digital, o Next, que desde o ano passado se tornou uma instituição segregada da marca “mãe”. Ele chega com a missão de acelerar o crescimento e o ganho de escala da operação, com a meta de levá-la à rentabilidade. Com 4 milhões de clientes atualmente, o Next tem a arrojada meta de encerrar 2021 com 7 milhões de correntistas.

Aposta do Bradesco para fazer parte do movimento acelerado de digitalização no mundo financeiro, movimento que tem feito fintechs como Nubank crescerem rapidamente, o Next ganha agora mais agilidade para a tomada de decisão – algo importante para empresas com os dois pés em tecnologia. “O Next não é ponta da lança para competir com as fintechs. O que eu vejo é uma visão de que o futuro do mercado financeiro passa pela digitalização e fizemos uma aposta de criar uma empresa que faça uma jornada digital de forma independente”, diz o executivo.

Por ter parte significativa de sua carreira ligada à área de banco de investimento, a ida de Ejnisman para o comando do Next rapidamente levantou a hipótese de que ele teria a missão de levar o banco digital para a Bolsa de Valores por uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). 

Esse, contudo, não é o objetivo imediato, embora seja natural que a abertura de capital aconteça quando o banco digital tiver mais musculatura, visto que esse é um caminho para a ampliação da governança, disse Ejnisman. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Qual é o seu primeiro desafio à frente do Next?

Tem muita gente imaginando que é abrir o capital ou fazer uma transação estratégica, pelo meu histórico em banco de investimento. A grande verdade é que o Bradesco entende que essa jornada digital é o futuro do mercado financeiro. Por isso, tomou a decisão de criar um banco independente e apostar nele. Dentro desse contexto, o desafio é ter uma plataforma digital que sirva melhor ao cliente, facilitando sua vida. Se caminharmos nessa direção, dentre as alternativas estará a abertura de capital ou fazer uma combinação.

Por que a decisão de segregar o Next foi tomada?

O ponto de partida desse movimento do Next passar a ter um CEO, ser segregado e ter um CNPJ faz parte do movimento de desacoplar o banco digital, decisão estratégica de dar independência ao Next. Isso por uma questão de agilidade, para se evitar conflito. 

E como Next e Bradesco conversam a partir de agora?

O Bradesco é até aqui o único acionista do Next e é natural que ele seja parceiro em uma série de serviços. Mas vamos oferecer um produto ao cliente se o Bradesco for a melhor forma. Um acordo operacional, por exemplo, poderá fazer sentido. Mas, para isso acontecer, é uma questão de se fazer contas. 

Mas a abertura de capital poderia ocorrer quando?

Se a gente continuar crescendo nesse ritmo, o que acredito que vai acontecer, o Next ganha massa crítica e é natural se pensar em um IPO para dar mais independência corporativa ao Next.

E a meta de crescimento do número de clientes?

Queremos 7 milhões de clientes até o fim do ano (hoje são 4 milhões). Estamos com inúmeras frentes e isso pode até crescer. Quando olhamos para concorrentes, tem alguns que talvez até tenham um maior número de clientes, mas não de correntistas somente. Quando tivermos mais escala, teremos mais capacidade de oferecer produtos e serviços, mas por outro lado também de pensar na rentabilidade. Mas agora a meta não é gerar resultado, mas ampliar a base de clientes e seguir um caminho em que vamos ser rentáveis. 

O Next ajuda o Bradesco na competição com fintechs, como o Nubank?

Hoje a competição não é só com fintechs, temos as “big techs” (gigantes como Google e Facebook), empresas de varejo que oferecendo produtos financeiros... O Next não é a ponta da lança para competir com as fintechs. O que eu vejo é uma visão de que o futuro do mercado financeiro passa pela digitalização. Fizemos uma aposta de criar uma empresa que faça uma jornada digital de forma independente. 

Qual a vantagem para o Next ter o Bradesco por trás?

Nosso acionista tem capacidade financeira e interesse em investir e conhecimento único do mercado financeiro, conhecimento dos clientes que nos permitem entender as tendências de mercado e forma única. Só vejo vantagens.

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