Futuro nas telas de PCs e celulares

Sucesso do iPhone abre mercado para as telas sensíveis ao toque

Michael Fitzgerald, The New York Times, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2008 | 00h00

Inovações com freqüência produzem outras inovações, e o uso inteligente da tecnologia de tela sensível ao toque pela Apple em seu iPhone deixou os fabricantes desse tipo de telas salivando. E o setor, que um dia foi relegado a nichos, hoje vê potencial para deslanchar.O mercado de telas sensíveis ao toque (touch screen) cresceu discretamente durante anos, seja em aplicações comerciais, como sistemas de ponto- de-venda em restaurantes, leitoras de assinatura em cartões de crédito ou caixas eletrônicos, seja em dispositivos de consumo como sistemas de posicionamento global (GPS) e plataformas de jogos. Mas as telas sensíveis ao toque não haviam empolgado muito em usos mais cotidianos, como telefones, computadores e outros produtos eletrônicos - pelo menos até agora."A Apple mudou a mentalidade geral sobre o toque", diz Geoff Walker, diretor-global de gestão de produtos da unidade Elo TouchSystems, da Tyco Electronics, grande vendedora de telas sensíveis ao toque. A possibilidade de os usuários de iPhone poderem facilmente redimensionar fotos com uma simples pressão ou toque da ponta dos dedos é "fantástica", diz.Em particular, a Apple mudou as mentalidades sobre a chamada tecnologia multitoque. Uma tela multitoque é exatamente o que parece ser: uma tela capaz de aceitar comandos com toques múltiplos simultâneos. A Apple usa telas multitoque em que uma pequenina carga elétrica reage ao campo elétrico do corpo humano, e não à pressão. Há outros tipos de tecnologia de toque, mas todas são dos tipos mais caros de tecnologia, segundo analistas. DEDO OU CANETAOs preços altos causaram uma certa estagnação da tecnologia multitoque antes da chegada do iPhone ao mercado. Mas o sucesso do produto animou outras companhias a explorar as telas multitoque. É o caso da N-trig (pronuncia-se "intrigue"), uma companhia israelense, criada há oito anos, que faz telas multitoque que podem ser acionadas com uma caneta ou com um dedo. A capacidade de trabalhar com ambos convenceu a fabricante de computadores Dell a colocar telas N-trig no Latitude XT, um computador híbrido menor que um laptop, mas maior que um modelo ultraportátil."Não usamos pintura de dedo em nossas escrivaninhas para escrever anotações", diz Roy Stedman, estrategista de tecnologia da Dell. Stedman visualiza coisas como usar um dedo para "segurar" uma pasta e outro para inserir uma mensagem de e-mail nela, ou ajustar o volume de um PC "girando" um botão em vez de usar o mouse nele.A N-trig está se sentindo revigorada pelo iPhone. "Na última parte de 2006, tive esse sucesso com a Dell, mas outros fabricantes disseram ?Toque, não sei?", disse Amihai Ben-David, presidente executivo da N-trig. Aí veio o anúncio do iPhone em janeiro de 2007, e essas mesmas companhias começaram a ligar para ele. Ele disse que as telas da companhia aparecerão no próximo ano em um notebook, um PC e um novo tipo de telefone. Na última quarta-feira, a Intel apresentou uma tela N-trig num computador conceito chamado UrbanMax.Segundo Ben-David, à medida que o preço das telas cair nos próximos cinco anos, a maioria dos aparelhos móveis vai migrar para essas telas.Mas Joseph W. Deal, presidente e CEO da Wacom Technology, que fabrica telas sensíveis ao toque e ferramentas de comandos eletrônicos, tem dúvidas. Ele está no setor há 15 anos, tempo suficiente para ter visto outras tecnologias de toque não conseguirem chegar ao uso convencional.Para o multitoque dar certo, disse, "o custo vai ter de baixar substancialmente". Analistas do setor também dizem que pode levar anos para a tecnologia multitoque se firmar. Mesmo no mercado de telefones celulares, é provável que as telas sensíveis ao toque de todos os tipos estarão em apenas 30% dos telefones em 2013, segundo a iSuppli, a empresa de pesquisa de mercado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.