G-20 apoia cessão de 5% dos votos de ricos a emergentes no FMI

Proposta representa perda para algumas nações europeias, que terão que abrir mão de parte de seus votos

Efe,

24 de setembro de 2009 | 15h26

A minuta da declaração final da reunião do G20, que começa nesta quinta-feira, 24, contempla que os países ricos transfiram pelo menos 5% de seu poder de voto no Fundo Monetário Internacional (FMI) às nações em desenvolvimento "dinâmicas".

 

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A concessão de 5%, uma proposta dos Estados Unidos inferior aos 7% que pediam os Brics (Brasil, Rússia, China e Índia), é uma conquista para os países emergentes e uma perda para algumas nações europeias, que terão que abrir mão de uma parte de sua capacidade de voto no FMI.

 

"Apoiamos uma mudança significativa nas cotas de pelo menos 5% dos países sobre-representados aos mercados emergentes e países em desenvolvimento dinâmicos infra-representados na próxima revisão das cotas, a ser completada em janeiro de 2011", afirma o documento.

 

Os países sobre-representados são pequenas nações europeias, como Bélgica, Dinamarca e Suíça, que têm mais influência no FMI que teriam direito se levado em conta o tamanho de suas economias.

 

Os grandes beneficiados da proposta do G20 serão precisamente China, Brasil, Rússia e Índia, que são nações "dinâmicas", como diz o documento, que tiveram um crescimento maior que a média mundial na última década, mas cuja representação no FMI não cresceu em paralelo.

 

Por outro lado, os EUA não perderão poder com a reforma, já que seus quase 17% de voto no FMI são inferiores à percentagem que representa seu Produto Interno Bruto (PIB) na economia mundial.

 

Washington foi o aliado mais potente dos países emergentes na redistribuição do poder no seio do FMI, onde, ao superar 1%, seu poder de voto lhe dá o direito de veto na prática das decisões de maior transcendência.

 

A minuta, pactuada pelos ministérios da economia dos membros do G20 nos últimos dias, também pede que, como parte da reforma do FMI, se considere o tamanho e composição do Conselho Executivo, órgão com 24 integrantes que toma as decisões do dia a dia e que representa 186 países membros.

 

Atualmente, a Europa também está sobre-representada ali e os países em desenvolvimento pedem que mais cadeiras sejam cedidas.

 

"Estamos de acordo em que os chefes e diretores das instituições internacionais deveriam ser designados de acordo com um processo aberto, transparente e com base no mérito", diz também o documento.

 

Em um acordo de cavalheiros entre Europa e EUA, Washington sempre nomeou o presidente do Banco Mundial e o velho continente, o diretor-gerente do FMI.

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