Manuel Balce Ceneta | AP
Manuel Balce Ceneta | AP

G-20 busca alternativas a emergentes

Obama vai pedir medidas para incentivar crescimento e todos os olhos estarão voltados para saber qual será a mensagem da China

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2015 | 05h00

GENEBRA - O governo de Barack Obama vai apelar aos países do G-20 que usem “todos os instrumentos fiscais e monetários” para compensar a queda na demanda nas economias emergentes, como forma de evitar uma nova paralisação da economia mundial e mesmo a explosão de uma crise da dívida das economias em desenvolvimento. A partir do fim de semana, o balneário de Antalya, na Turquia, receberá a décima cúpula do diretório da economia mundial.

Mas se há sete anos, quando a crise eclodiu, eram os países emergentes que desembarcavam com força e exigência, nessa edição do encontro, nos dias 15 e 16, um cenário bem diferente será mostrado, colocando o G-20 numa encruzilhada. Neste ano, os emergentes serão apontados como um problema para a economia internacional e agora são os americanos e europeus que querem saber o que Pequim ou Brasília vão fazer para recolocar suas economias em uma trajetória de crescimento.

Para negociadores americanos, o tom de Obama será o de convocar os demais líderes a injetar recursos e usar o espaço fiscal existente para impulsionar as economias. O gasto público e as facilidades para empréstimos, segundo a Casa Branca, seriam uma forma de tentar compensar o fato de que os emergentes terão meses de baixo consumo, afetando as exportações de dezenas de economias e o próprio Produto Interno Bruto (PIB) global para 2016.

A preocupação explícita de americanos e europeus é de que a dívida acumulada pelo Brics e outros emergentes possa se transformar no principal risco para a economia mundial no ano que vem.

Com o Brasil vivendo um forte ajuste fiscal, a desaceleração na China e as sanções na Rússia, os cálculos de que os emergentes poderiam continuar a ser um motor de crescimento desapareceram. Na Turquia, governos esperam ouvir da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o que têm sido feito em termos de ajustes e até que ponto os esforços implicarão em uma queda no consumo.

Foco. Mas é da China que se aguarda a principal sinalização entre os emergentes. Pequim assume a presidência do grupo em 2016 e, na Turquia, vai revelar quais são seus planos para o G-20 e indicar uma estratégia para voltar a crescer a taxas mais elevadas. “O mundo inteiro aguarda para escutar qual será a mensagem do presidente Xi Jinping em Antalya”, disse Chen Fengying, diretor do Centro de Pesquisas da Economia Mundial do Instituto Chinês de Relações Internacionais Contemporâneas.

Para observadores americanos, a agenda dos chineses para os trabalhos do grupo vai refletir exatamente o que o governo de Pequim espera em termos de seu papel da economia mundial.

Mas, para o Goldman Sachs, a ameaça é de que 2016 registre a terceira onda da crise que começou em 2008. Se inicialmente ela era marcada pelo subprime e ganhou, anos depois, com um caráter de dívida soberana, o temor é de que uma mudança na política de juros na Europa e nos Estados Unidos promova uma fuga massiva de recursos dos emergentes, justamente num momento em que precisam de empréstimos.

Outras pesquisas também apontam que a dívida dos emergentes pode ter um impacto significativo em suas economias em 2016. Para o Barclays, a taxa de falência pode dobrar, ficando acima até mesmo da média dos últimos 20 anos.

Um dos motivos é a falta de crédito, cada vez mais pronunciada. Em apenas um semestre, mais de US$ 570 bilhões deixaram os mercados emergentes. Ainda mais preocupante é a dívida privada, fora do mundo corporativo e que pode gerar uma forte pressão sobre bancos locais. De acordo com o Instituto de Finanças Internacionais, a dívida de famílias em mercados emergentes deu um salto de 120% em apenas sete anos.

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