Covid-19

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G-20: cada um por si

A reunião dos ministros das Finanças do G-20 deu no que se esperava. Intenções de usar todos os meios para conter a recessão, sem dizer quais. A prioridade é restabelecer o crédito - viva o ovo de Colombo! - e regulamentar o sistema financeiro. Não saiu nem sequer um leve esboço de projeto comum que uniria a força de todos.Gordon Brown, da Grã-Bretanha, informou ao fim do encontro que caberia a cada país adotar as medidas necessárias. Não houve união para dimensionar as metas a seguir. Ninguém se entende no segundo maior bloco do mundo.E a Europa, com um PIB igual ao dos EUA, caminha para a depressão.OS BONS COMPANHEIROSNesse cenário cada vez mais negro, houve o encontro de Lula com Obama. Não resultou em nada prático para o Brasil. A agenda não previa isso. Foi apenas um encontro para se conhecerem, dizerem alô, e cada um falar o que pensa. Mas os dois presidentes concordaram em que o estímulo à demanda por meio de uma política fiscal agressiva e responsável é o caminho certo e de resultados mais rápidos para conter a recessão. É o que Brasil e Estados Unidos estão fazendo, mas precisam intensificar. E decidiram defender essa posição no encontro de chefes de Estado do G-20, no dia 2 de abril, em Londres.Vai adiantar alguma coisa? Provavelmente não. Na última reunião, prometeram não adotar políticas protecionistas e 19 dos 20 não respeitaram, de acordo com levantamento do Banco Mundial. A verdade é que eles têm visões diferentes quanto à gravidade da crise mundial.É dramático porque o G-20 representa 80% do PIB mundial e quase todos estão afundando na recessão.E A CHINA TAMBÉM...Não há muita saída à vista. Ontem, o Banco Mundial divulgou estudo, como subsídio para essa reunião, no qual estima que a economia da China irá crescer apenas 6,5% neste ano. E era o único país em que se depositava ainda alguma esperança. DOHA NÃO, POR FAVOR!Lula teve o bom senso de não falar muito com Obama sobre liberalização comercial e Doha. O presidente americano, muito objetivo e realista, enterrou o assunto com duas frases lapidares de bom senso: "Será difícil para nós concluirmos uma série de tratados em meio à crise econômica.Nosso objetivo é de que, pelo menos, não haja retrocesso no comércio." Ou seja, vamos ficar felizes se tudo continuar como está, o que não vai ser nada fácil por causa das pressões internas que aumentam em cada país.Parece que Lula entendeu, mesmo porque sente essas pressões aqui dentro para proteger a indústria e o mercado. Mas o ministro Celso Amorim, não.PROTECIONISMO E EQUÍVOCONo mesmo dia do encontro, o ministro, sem temer cair no ridículo, defendia, nos EUA, a liberação comercial e o retorno já a Doha. Ora, o senhor ministro confunde dois conceitos diferentes: protecionismo e abertura comercial. Imperdoável. Protecionismo é quando um ou mais países aplicam medidas unilaterais com o objetivo de defender seus mercados ou elevar o nível de competição dos seus produtos. Geralmente surge e ganha força em momento de crise como este. Abertura comercial, como a proposta nas negociações de Doha, pretende o oposto, que os países não só não adotem medidas protecionistas, mas abram os seus mercados. No protecionismo, elevam-se tarifas, protegem-se de várias formas a indústria, a agricultura, a produção local. É o que está acontecendo nessa primeira fase de autodefesa dos mercados internos. No segundo, mais abertura comercial é o oposto. Os países adotam medidas tarifárias ou de outra ordem, como redução de subsídios internos, para permitir que os demais possam lhes exportar mais. Com frequência, tem o efeito danoso de permitir que os produtos fabricados internamente sejam substituídos pelos do exterior.BOM SENSO, SENHORESO leitor, mesmo leigo em economia, já viu que defender a abertura comercial num momento em que o mundo está em recessão é absolutamente impossível. Nenhum país em que a economia afunda ou está à beira da recessão, como nós, poderia abrir seus mercados para produtos que iriam substituir os produzidos internamente. Certamente isso iria gerar mais desemprego e recessão. Os EUA, a Europa, a China, o Japão e o Brasil também irão continuar defendendo os seus mercados, seus produtores, para salvar suas economias. Vamos - como disse Obama,na conversa com Lula - pelo menos evitar que não haja retrocesso comercial. E NÓS, AGORA?Agora, é esperar mais essa reunião de abril, lutar para que o nosso ponto de vista, apoiado pelos EUA, de investir do aumento da demanda, seja aprovado. Mas, ao mesmo tempo, nos prepararmos já não para o que vier, mas para o que não vier, o tal entendimento amplo.Devemos ir lá, ouvir, lutar, voltar para casa e cuidar de nós mesmos, enfrentando a onda negativa que continuará vindo do exterior. Só nos faltam, neste momento, menos planos, menos PACs . Precisamos de mais ação e ousadia para enfrentar a recessão.*E-mail: at@attglobal.net

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