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G-20 cria índices para prevenir contra crises

Objetivo é identificar quais países mais contribuem para desequilíbrios globais

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

Os ministros de Economia e presidentes de bancos centrais do G-20, reunidos ontem em Paris, chegaram a um acordo para a criação de indicadores de desequilíbrio macroeconômico, prioridade número 1 do evento. Os critérios escolhidos foram dívida e déficit públicos, poupança e dívida privada e o balanço em conta corrente - que "levará em consideração", com menor importância, aspectos como taxa de câmbio e política monetária.

O documento final do encontro confirma a maior ambição do país anfitrião, a França, que havia traçado a definição dos indicadores como a mais urgente, uma base para aprimorar o equilíbrio macroeconômico global no G-20 de Cannes, em novembro.

O compromisso, costurado com dificuldades entre sexta-feira à noite e sábado, prevê que os indicadores serão baseados em critérios de conjuntura interna - déficit e dívida públicas e poupança e dívida privadas -, e relativos ao cenário externo - balança de bens e serviços, remessas e transferências internacionais.

"Estamos muito satisfeitos pelos resultados atingidos", disse a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, falando em nome do G-20. "Conseguimos definir a lista de indicadores que vão servir para testar as políticas econômicas e determinar de qual maneira são propícias ao conjunto dos Estados e não só à política interna de um país."

Uma das vitórias do acordo, segundo ela, foi incluir elementos como taxa de câmbio, políticas fiscal e monetária no comunicado final, temas que enfrentavam restrições dos emergentes. "Vocês podem imaginar que a inclusão da taxa de câmbio e da política monetária foram objetos de longo debate", disse Christine.

Entretanto, o Estado apurou que esses elementos serão usados só como referência, e não são propriamente indicadores. "Foi usada uma linguagem ambígua no comunicado. Esses componentes ficam juntos da conta corrente, mas não têm exatamente o mesmo peso", explicou um negociador brasileiro. "Foi uma concessão que se fez para conseguir o apoio da China."

Reservas. A proposta da França de incluir reservas internacionais não foi aceita. O tema já havia sido vetado pelos Brics, inclusive o Brasil, sexta-feira (o grupo tem ainda Rússia, Índia e China). Os emergentes temiam que a inclusão do volume de reservas entre os indicadores pudesse abrir a porta para a criação de limites de acumulação.

A partir da definição dos indicadores, o Fundo Monetário Internacional (FMI) trabalhará em estudo sobre quais países contribuem mais ou menos para o desequilíbrio macroeconômico global - na prática, China, EUA, Alemanha e Japão.

Qualquer que seja o resultado do estudo do FMI, ele não significará qualquer caráter coercitivo. Essa é outra decisão importante dos ministros, porque, na prática, os indicadores não resultarão em obrigações aos países considerados "causadores de desequilíbrios". Esses governos receberão apenas "recomendações" para que se integrem melhor à economia global, e nenhum será obrigado a tomar medidas para melhor adaptar sua política macroeconômica.

"Não são metas, não são objetivos. São só indicadores, sem caráter obrigatório", disse Christine, questionada pelo Estado.

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