G-20 discute forma de evitar recaída da crise

Afastado do clima de apocalipse que pesava sobre a economia global há poucos meses, o G-20 agora encara com menos pressão o desafio de administrar o fim da crise e garantir uma recuperação sustentável. As discussões sobre os próximos passos do grupo começam a ganhar corpo hoje, quando tem início o encontro de ministros e presidentes de bancos centrais em Londres, preparatório para a cúpula de Pittsburgh (EUA), no fim deste mês.

Daniela Milanese, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

Já sem a ameaça de uma depressão, que chegou a parecer iminente, o G-20 concentra-se desta vez em mecanismos para impedir uma recaída, discute as estratégias de saída e avança na tão debatida reforma dos mercados financeiros, acreditam especialistas consultados pela Agência Estado, em Londres.

"As principais preocupações serão o fim coordenado das políticas de estímulo e a melhora das regras do setor financeiro para que a crise não se repita, o que inclui a regulação da tomada de risco pelos banqueiros", afirmou a economista da Universidade de Oxford e professora visitante da London School of Economics (LSE), Linda Yueh.

A questão mais sensível é saber exatamente quando e com qual velocidade os estímulos devem ser revistos. Mesmo entre os especialistas, não existe consenso sobre o assunto. Alguns temem uma explosão inflacionária, mas outros acreditam que ainda é cedo para mexer nas políticas.

Para Linda, esse deve ser um dos principais temas da agenda e a discussão deve ficar em torno de uma forma ordenada de saída. John Bowler, diretor da Economist Intelligence Unit (EIU), acredita que, apesar do desconforto com a inflação, os países tendem a manter o afrouxamento por mais tempo para não aniquilar a retomada. "A última coisa que o mundo precisa agora é de que a confiança seja golpeada por políticos destacando a necessidade de alta de juros e impostos", disse Chris Turner, estrategista-chefe de câmbio do ING.

Os emergentes devem continuar pressionando por mais espaço nas instituições financeiras multilaterais, acreditam os especialistas. Conforme Bowler, da EIU, países como Brasil, Índia e China estão gabaritados pelo desempenho econômico mais favorável demonstrado durante a crise. "A economia mundial estaria muito pior se não fossem os emergentes", afirmou. "O Brasil passou pela crise em boa forma, apenas com uma recessão leve."

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