G-20 discutirá normas globais para bonificações

Líderes da União Europeia fecham acordo para incluir tema na pauta da reunião da semana que vem

Stephen Castle, The New York Times

19 de setembro de 2009 | 09h44

Líderes dos 27 países-membros da União Europeia fecharam um acordo, na quinta-feira, em Bruxelas, para que a próxima reunião do G-20, marcada para a próxima semana, em Pittsburgh, nos EUA, fixe normas globais que controlem as remunerações e bonificações recebidas por banqueiros em todo o mundo.

 

O acerto foi obtido depois de um jantar que durou mais de três horas, na capital da Bélgica. A ideia é garantir a formação de um bloco europeu unido que defenda uma proposta comum para o tema, na reunião do G-20.

 

Mas, apesar do acerto, a proposta ainda é genérica. Representantes dos países europeus ainda não mencionaram o estabelecimento de qualquer teto que limite a remuneração dos banqueiros.

 

A proposta europeia é de que o pagamento da maior parte dos bônus seja postergada, prevendo até mesmo que eles "sejam cancelados em caso de um desenvolvimento negativo no desempenho do banco". O cumprimento das medidas seria, segundo a proposta, "respaldada pela ameaça de sanções em nível nacional".

 

O consenso europeu em torno da proposta só foi possível depois de semanas de negociação. "A Europa está unida numa forte mensagem política", disse o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

 

Mas a ideia de limitar a remuneração dos banqueiros ainda enfrenta resistência tanto de Londres quanto de Washington. Para o premiê britânico, Gordon Brown, "não há volta atrás para a estrutura de bonificação do passado."

 

França e Alemanha estão particularmente determinadas a enviar uma mensagem forte ao G-20 para pressionar, principalmente, o presidente americano, Barack Obama. Franceses e alemães atribuem parte da culpa pela crise econômica aos riscos excessivos assumidos por banqueiros que agiram motivados pela expectativa de receber bonificações.

 

A declaração emitida pelos líderes europeus pede que o G-20 faça com que os bônus "sejam estabelecidos num nível apropriado em relação à remuneração fixa". O bloco também defende que o os bônus sejam vinculados ao desempenho dos bancos, das unidades de negócios e dos indivíduos, levando em conta desenvolvimentos negativos para evitar bonificações garantidas".

 

Sustentabilidade

O premiê sueco e presidente pro-tempore da UE, Frederik Reinfeldt, também lembrou que, apesar de o bloco ter recebido bem o projeto de lei sobre mudanças climáticas do Congresso americano, é preciso fazer mais "para alcançar os níveis que temos na Europa".

 

A UE defende a adesão de outros países aos seus planos de reduzir as emissões em pelo menos 20% das emissões até 2020. Os líderes europeus pediram que os EUA e outros países "comprometam-se urgentemente" com cortes mais profundos. Para Reinfeldt, os custos para ajudar a adaptação de países pobres às mudanças climáticas alcançará até US$ 100 bilhões anuais em 2020.

Tudo o que sabemos sobre:
crise financeiraG-20cúpula

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.