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G-20 fecha acordo sobre desequilíbrio global, mas deixa pontos em aberto

Objetivo é estancar a atual de tendência, de forte déficit nos EUA e enorme superávit na China

Daniela Milanese,

19 de fevereiro de 2011 | 15h41

Depois de muita polêmica e debate, os ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais do G-20 conseguiram chegar a um acordo para tentar resolver os desequilíbrios globais. Os membros do grupo estabeleceram parâmetros para medir as disparidades econômicas entre os países. Como havia muita discordância, no entanto, alguns pontos foram deixados em aberto para negociação futura. O comunicado divulgado hoje à tarde, em Paris, usa conceitos amplos para abarcar pontos de divergência.

A questão mais polêmica é o objetivo do grupo de preparar um caminho para tratar dos problemas trazidos pelo elevado superávit da China, em contraste ao forte déficit dos Estados Unidos.

O G-20 conseguiu chegar aos quesitos que serão observados. Do ponto de vista interno, serão a dívida pública e o déficit fiscal. Na questão externa, o foco é o saldo da conta de transações correntes "levando em consideração o câmbio e as políticas fiscal e monetária". Na prática, a frase deixa esses pontos em aberto para negociação futura, em razão da resistência de alguns países, como a China.

Os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tiveram de ceder em alguns aspectos, mas obtiveram certas conquistas. O grupo era contra o uso da taxa de câmbio e da conta corrente, pois entendiam que as aplicações financeiras no exterior deveriam ser excluídas das análises por não representarem, necessariamente, um desequilíbrio.

Em contrapartida, os Brics conseguiram emplacar que as reservas internacionais não fossem tomadas como parâmetro de disparidade. Outra vitória dos emergentes é que os indicadores de desequilíbrios não significarão compromissos obrigatórios de ajustes para os países. "Não são metas", afirmou a ministra de Finanças da França, Christine Lagarde.

Commodities

O G-20 adiou o debate sobre a regulação do mercado de commodities. A França vinha defendendo a imposição de regras para segurar os preços dos alimentos e encontrou oposição do Brasil.

O grupo decidiu estudar o assunto, com base em relatórios de organizações internacionais. Serão avaliados os mercados de commodities agrícolas e de energia, como petróleo, gás e carvão. O assunto deve voltar a ser debatido nos próximos encontros.

"Há grande convergência entre países desenvolvidos e emergentes na questão da volatilidade dos derivativos, mas devemos ir mais longe na questão da transparência e identificação dos estoques", disse a ministra de Finanças da França, Christine Lagarde. 

Fluxo de capital

O G-20 manteve a aprovação para medidas de contenção de fluxo de capitais pelos países que vêm sofrendo com a valorização de suas moedas. A avaliação já havia sido definida na reunião de cúpula realizada em novembro, em Seul, mas chegou a ser questionada durante as negociações do encontro ministerial realizado durante este final de semana, em Paris.

Chegou-se a falar sobre a introdução de regras e limites para as iniciativas de controle adotadas por nações emergentes. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se posicionou contra as iniciativas e defendeu que cada país deveria decidir o que fazer, até porque o Brasil não abriria mão de definir sua política.

No final, o comunicado do G-20 trouxe a indicação de que os países trabalham para fortalecer o sistema monetário internacional, incluindo "medidas para lidar com os fluxos de capital potencialmente desestabilizadores", como medidas macro-prudenciais.

O grupo também seguirá com a reforma o setor financeiro. A avaliação é a de que, apesar do progresso, ainda há trabalho a ser feito.

(Colaborou Andrei Netto) 

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