G-20 já discute as estratégias para o pós-crise

Líderes financeiros garantem, porém, que manterão os planos de estímulo até se ter certeza do fim da recessão

Daniela Milanese, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

Os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G-20, grupo que reúne as 20 maiores economias emergentes e desenvolvidas, já começam a discutir as estratégias para retirar os estímulos econômicos e preparar a saída da crise.

Os líderes mundiais de finanças estão reunidos em Londres, discutindo os temas que serão levados à reunião de cúpula dos chefes de Estado do G-20, marcada para o fim do mês, em Pittsburgh, nos Estados Unidos. E a reunião em Londres já antecipa uma mudança no foco dos debates. Desde que os líderes financeiros do G-20 reuniram-se pela última vez, em abril, no meio do pior momento da crise financeira mundial, as perspectivas melhoraram, mas os formuladores de política ainda não declaram vitória.

O G-20 vai prometer neste fim de semana manter os pacotes de estímulo até que a recuperação seja certa, e procurará assegurar aos mercados financeiros que tem planos adequados para retirar as políticas de suporte quando for apropriado.

Para o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, existe o receio que uma precipitação na retirada dos programas de estímulo possa levar a economia a um movimento de "W", ou seja, um novo mergulho recessivo em 2010.

"Retirar o estímulo cedo demais implica um risco real de tirar a recuperação dos trilhos, com implicações potenciais significativas para o crescimento e o emprego", afirmou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn.

Fontes do G-7 disseram à Reuters que o comunicado do G20, previsto para hoje, deve trazer a promessa de manter a política expansionista por quanto tempo for necessário. "O maior risco é achar que o trabalho está acabado, que a recuperação está garantida. Nenhum país pode ser complacente", disse o ministro das Finanças britânico, Alistair Darling. "Já cometemos esses erros antes. O caso mais evidente são os EUA, no final dos anos 30, quando viram uma recuperação na hora errada e voltaram a cair em recessão de novo."

SAÍDA DA CRISE

Como há cada vez mais sinais que o mundo está saindo da recessão, os países já discutem o momento ideal para a adoção de estratégias de saída e medidas para conter a especulação financeira, apontada como a principal causa da crise.

Com taxas de juros em recordes de baixa e trilhões de dólares colocados nas economias para driblar a crise, os governos querem mostrar que têm estratégias de saída para que os mercados não temam eventuais ameaças inflacionárias. "Agora não é o momento de retirar, mas eu gostaria de deixar claro que o BCE tem uma estratégia de retirada e estamos prontos para colocá-la em ação quando for apropriado", disse o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet

O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, pediu exigências mais duras de capital dos bancos, com o objetivo de evitar práticas mais arriscadas de empréstimos, que foram apontadas como causa da crise. Outra grande potência do setor bancário, o Reino Unido, apoia a posição dos EUA.

França e a Alemanha, preocupadas com a explosão dos déficits públicos, centram fogo nos ataques aos pagamentos de bônus aos executivos do setor financeiro, depois de toda a ajuda governamental despejada para salvar os bancos.

Os dois países ganharam a adesão inesperada do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown - o que provocou reações iradas de executivos da City, o centro financeiro de Londres.COM REUTERS

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