G-20 pede câmbio livre e alerta para inflação

Declaração preliminar também cita os problemas das dívidas soberanas nos países desenvolvidos como um dos riscos à recuperação global 

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

16 de fevereiro de 2011 | 09h40

O grupo das 20 maiores economias do mundo (G-20) vê o aumento dos preços das commodities, o potencial superaquecimento das economias emergentes e os problemas das dívidas soberanas nos países desenvolvidos como os principais riscos para a recuperação global, segundo o esboço do documento que será divulgado no próximo sábado na reunião dos ministros de Finanças e autoridades dos bancos centrais do grupo, em Paris. A declaração preliminar também destaca que cortes orçamentários, taxas de câmbios mais livres e reformas estruturais estão entre as prioridades políticas do grupo.

O rascunho do documento, ao qual a Dow Jones teve acesso, afirma que os países desenvolvidos e os em desenvolvimento concordaram sobre um "conjunto limitado" de indicadores para avaliar os grandes desequilíbrios econômicos, mas o comunicado sugere que esses indicadores ainda terão de ser determinados.

O G-20 pede no documento preliminar "uma ação política coordenada" para assegurar "o crescimento equilibrado e sustentável" para a economia mundial, onde a recuperação está "progredindo em linha com nossas expectativas, mas ainda é irregular".

"Enquanto a maior parte das economias desenvolvidas está observando um modesto crescimento e um alto desemprego persistente, as economias em desenvolvimento estão apresentando um crescimento robusto, parte delas com sinais de superaquecimento", afirma o G-20, segundo o esboço da declaração.

"Os riscos de desaceleração permanecem, incluindo as atuais tensões nos mercados de dívida soberana das economias avançadas, as pressões inflacionárias que, juntamente com os fluxos significativos de capital nas economias emergentes, criam riscos de bolhas de ativos, além dos preços das commodities que levantam preocupações sobre a sustentabilidade do crescimento e a segurança alimentar".

O G-20 desenvolverá diretrizes para avaliar os desequilíbrios globais antes da sua próxima reunião, em abril, afirma o rascunho. A questão provou-se polêmica nas últimas reuniões do G-20, com os Estados Unidos pedindo que as maiores nações "poupadoras", como a China, Alemanha e o Japão, façam mais para impulsionar o consumo doméstico ao invés de basear o crescimento de suas economias nas exportações.

O tema assume uma importância relevante, visto que a lenta recuperação dos EUA sinaliza que não se pode mais contar com os consumidores americanos para impulsionar o crescimento global.

Os EUA apresentaram no ano passado uma proposta preliminar para que os países reduzam os desequilíbrios em conta corrente para 4% ou menos de seus respectivos Produtos Internos Brutos (PIBs) até 2015, mas a China e a Alemanha se opuseram.

As taxas de câmbio deverão ter lugar proeminente nas discussões, com os EUA e potências emergentes, como o Brasil, dizendo que a China desvaloriza deliberadamente sua moeda para beneficiar seus exportadores. A China, por sua vez, acusa os EUA de usar a política monetária frouxa para desvalorizar o dólar, que também serve como principal moeda de reserva mundial.

O esboço reconhece que as "tensões e as vulnerabilidades são claramente aparentes" no sistema monetário internacional, e pede melhorias "para assegurar a estabilidade sistêmica e evitar maiores flutuações das taxas de câmbio e dos fluxos de capital".

O documento prevê que a reunião do G-20, em Paris, levará a um plano de trabalho para fortalecer o sistema monetário, incluindo medidas para administrar os fluxos de capital e a liquidez global. O esboço do comunicado também diz que o grupo irá discutir os relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial, e de outras instituições, sobre o sistema monetário e controles de capitais.

O rascunho também expressa preocupação sobre o impacto da volatilidade dos preços das commodities, incumbindo os membros do G-20 a criarem um plano de ação. O G-20 diz no documento preliminar que pedirá ao FMI e a outras instituições que recomendem medidas para reduzir a volatilidade excessiva dos preços da gasolina e do carvão. As informações são da Dow Jones.

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