G-20 pede 'decisões urgentes' da UE

No documento final da cúpula, líderes expressam apoio e confiança na habilidade da Europa de resolver a crise dos países da zona do euro

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL , SAN JOSÉ DE LOS CABOS, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h01

Sem meios para interferir nos desafios da Europa, o G-20 preferiu passar ao continente a responsabilidade por uma possível recessão global e esperar decisões capazes de evitar esse desastre no encontro dos líderes europeus nos dias 28 e 29 de junho, em Bruxelas.

O documento final e os chefes de Estado do G-20 expressaram "apoio" e "confiança" na habilidade da Europa de resolver a crise da dívida pública dos países da zona do euro, o risco de quebra dos bancos da região e o baixo crescimento econômico. Traduzidas do dicionário da diplomacia, essas palavras significam pressão por decisões urgentes.

Ao final do encontro de San José de los Cabos, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou terem os líderes europeus os instrumentos disponíveis para lidar com as suas crises internas e também sentido de urgência. Mas ainda precisam combinar uma coisa com a outra. "Os desafios da Europa não serão decididos pelo G-20 nem pelos EUA", afirmou Obama.

"Tem de haver um caminho (na Europa) para resolver imediatamente as questões e para prover os instrumentos adequados para lidar com a crise. Ao mesmo tempo, é preciso identificar mais claramente o que é preciso em longo prazo e haver determinação política coletiva para levar essas iniciativas a cabo", receitou a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

Com a chave para a definição de todos os pontos críticos da economia da zona do euro - o alívio do ajuste nas contas públicas, para permitir o crescimento, e a unificação das dívidas públicas e dos bancos de seus membros -, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, reconheceu que "será preciso tomar atitudes".

"O importante é deixarmos claro que estamos determinados a agir", defendeu, sem comprometer-se com medidas urgentes. Merkel advertiu ainda ser necessária também a consolidação fiscal nos EUA e a revisão da política econômica de países emergentes.

O documento final da reunião de cúpula do G-20 traz o compromisso dos países da zona do euro de "tomar todas as medidas necessárias para proteger a integridade e a estabilidade" da região, para melhorar o funcionamento do mercado financeiro e para quebrar o círculo vicioso entre as dívidas soberanas e os bancos.

O plano de capitalização de bancos espanhóis, embora não tenha sido ainda definido, foi considerado "bem-vindo" pelo G-20. O grupo também festejou o pacto entre países da UE para impor limite a suas dívidas públicas, de dezembro passado.

O sinal foi de suporte aos planos ainda só esboçados pela Europa para enfrentar a crise e de apelo, ainda que indireto, pela tomada rápida de decisões. "Apoiamos totalmente as ações da zona do euro de ir adiante (nos projetos) de completar a união econômica e monetária", diz o texto.

Como resumiu o presidente do México e anfitrião do encontro, a Europa precisa de "mais Europa, de mais integração e de mais colaboração". O próximo encontro do G-20, em 2013, será na Rússia.

Bruxelas. Uma das decisões emergenciais esperadas do encontro de Bruxelas é a adoção de medidas para reduzir a pressão dos mercados sobre países altamente endividados. A Itália e a Espanha continuam pressionadas a pagar taxas maiores nos empréstimos do setor privado. Ontem, o presidente da Itália, Mário Monti, sugeriu que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (Feef) e seu sucessor a partir de julho, o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (Meef), se comprometam com a compra de títulos desses países.

Sem mencionar essa proposta, o presidente da França, François Hollande, alertou ser a rapidez da intervenção uma maneira também de responder à instabilidade e acalmar os mercados.

Obama destacou não ser a crise espanhola fruto do endividamento público, mas da especulação imobiliária e problemas do setor privado. A pressão dos mercados por juros maiores nos títulos da Espanha, portanto, não teria razão. Ele advertiu, porém, que Madri precisa tornar mais claro o plano de resgate aos bancos para acalmar os mercados.

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