G-20 quer mais informação financeira

Ministros de Finanças do bloco pedem mecanismos que permitam a troca de informações entre governos e mais debate sobre evasão fiscal

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2013 | 02h08

Os ministros de Finanças do G-20, bloco formado pelos 20 países mais ricos, pediram ontem a criação de mecanismos capazes de garantir aumento da troca de informações financeiras entre os governos. Fizeram ainda um apelo para que se discuta a evasão fiscal no mundo hoje, sobretudo por meio dos paraísos fiscais.

O comunicado da reunião ministerial do G-20, que ocorreu em paralelo ao encontro anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial e terminou ontem, destacou que mais trabalho precisa ser feito para a troca de informações financeiras, incluindo sobre as contas bancárias.

O apelo ocorre depois do agravamento da crise no Chipre, paraíso fiscal usado, principalmente, pelos milionários russos colocarem seus recursos e que teve de ser socorrido pelo Banco Central Europeu (BCE) para que seus bancos não quebrassem.

Além do mundo financeiro, o comunicado do G-20 destaca que o setor real da economia global ainda patina. O crescimento da economia mundial é considerado "muito fraco", o desemprego é alto e a recuperação dos países vem ocorrendo de forma desigual. Nesse cenário, os ministros das Finanças do G-20 pediram mais ações dos governos para garantir um crescimento maior e mais sustentado.

O comunicado da reunião ministerial do G-20 fala de um mundo crescendo em três velocidades, como já havia destacado anteriormente a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. Os países emergentes seguem sendo destaques de crescimento, os Estados Unidos se recuperam e a zona do euro está em marcha à ré.

A decisão do Japão de estimular a economia por meio de compra de ativos no mercado financeiro foi destacada no comunicado e na apresentação que o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, fez a jornalistas ontem. Segundo ele, o objetivo do governo japonês é interromper a deflação que há anos assola o país e estimular o mercado interno.

Ao contrário da reunião de fevereiro, na Rússia, onde o tema guerra cambial dominou as discussões, o encontro que terminou ontem teve uma agenda mais variada. O ministro russo frisou que a zona do euro ainda é uma preocupação para a economia mundial e ressaltou a necessidade de um união bancária completa na região.

Reforma do FMI. O comunicado fala ainda em acelerar a reforma do FMI, para que os países emergentes tenham mais peso no Fundo. "A reforma do FMI está mais lenta que a economia da Europa", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a jornalistas ontem.

Sobre a discussão em torno das políticas dos países desenvolvidos, que deve injetar US$ 10 trilhões na economia mundial no período de 2007 até o fim deste ao, o comunicado do G-20 afirma que os ministros "reiteraram o compromisso de mover rapidamente em direção a um sistema de taxas de câmbio determinadas pelo mercado e de flexibilidade da taxa de câmbio, que reflitam os fundamentos da economia".

Assim como no comunicado da reunião da Rússia, o de ontem afirma que os governos se comprometeram a não desvalorizar suas moedas para aumentar a competitividade. O documento cita ainda que o excesso de liquidez atual no mercado internacional, mencionado ontem pelo presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, tem efeitos adversos na economia e na estabilidade financeira. "A política monetária deve ser direcionada para garantir a estabilidade interna de preços e contínuo apoio à recuperação econômica."

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