G-20 se esforça para provar que pode salvar euro

Líderes europeus enfatizaram a importância de reformular o sistema bancário da região

LOS CABOS / MÉXICO, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h07

Líderes mundiais tentaram ontem convencer os mercados financeiros de que a Europa pode se mover rápido o suficiente em direção a uma grande reformulação de seus sistemas bancários, o que ajudaria a resolver a crise da dívida e restaurar a confiança em uma recuperação global vacilante.

Na cúpula das 20 principais economias do mundo (G-20), a Europa indicou que está considerando a integração do setor bancário da zona do euro, uma grande reforma pretendida pelos Estados Unidos e por outras nações para quebrar o ciclo de países altamente endividados resgatando bancos em dificuldade, o que aprofunda ainda mais as dívidas dos governos.

A notícia de que o G-20 preparava declaração para a retomada do crescimento global e do emprego, junto com a promessa da Europa de ação, trouxe pouco alívio aos investidores.

Cresceram os riscos de que a Espanha, quarta maior economia da zona euro, precisará de resgate internacional, na medida em que os custos de empréstimos de títulos de curto prazo saltaram cerca de dois pontos porcentuais e os rendimentos da dívida de longo prazo ficaram acima de 7%, aumentando o perigo de o país ser bloqueado dos mercados de crédito (ler mais na página B11).

Soluções. O presidente francês, François Hollande, disse que ele e a chanceler alemã, Angela Merkel - atores centrais para a resolução da crise que se estende por mais de dois anos -, estão cientes de que a zona do euro é responsável por fornecer as soluções. "Merkel e eu sabemos que a Europa tem de apresentar sua própria resposta", disse. "A resposta não deve ser vir do exterior." Segundo ele, "o Fundo Monetário Internacional não está lá para escorar a zona do euro, mesmo que tenha feito isso em alguns países, como vimos na Grécia".

Os perigos de que a escalada da crise da dívida da Europa possa levar a economia mundial à recessão pela segunda vez em menos de quatro anos dominaram as sessões entre os líderes do G-20, que representam mais de 80% da produção mundial.

Sob a pressão dos mercados financeiros e de líderes mundiais ansiosos, a Europa concordou em avançar na direção a um sistema bancário mais integrado.

Entre os compromissos do G-20, está a promessa de considerar medidas concretas no sentido de uma "arquitetura financeira mais integrada" na Europa, que inclui supervisão bancária comum e garantias para os depósitos bancários. Uma autoridade do G-20 disse que não houve orientação dos líderes europeus ou das autoridades sobre qualquer prazo para tal plano.

Diplomatas afirmaram que o presidente dos EUA, Barack Obama, expôs para outros líderes a natureza interligada da economia global, com cada região fortemente dependente da demanda da União Europeia, o maior bloco econômico do mundo, por suas exportações. O comunicado mostrou que os líderes do G-20 estavam prestes a garantir que "agiriam em conjunto para fortalecer a recuperação e tratar as tensões nos mercados financeiros." / REUTERS

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