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G-20 tenta superar divergências

Documento final de encontro de ministros diz que países estão preparados para qualquer ação para superar a crise

Daniela Milanese, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

Os ministros de Finanças dos países que compõem o G-20 anunciaram ontem, ao final do encontro que durou dois dias na Inglaterra, que seus governos estão preparados para tomar qualquer ação que seja necessária até que o crescimento global seja restaurado. A declaração, que abre espaço para qualquer tipo de atitude, foi uma tentativa de diluir a falta de consenso, especialmente dos EUA e da Europa, em relação às prioridades para o combate à crise.Nos dias que antecederam a reunião, essas divergências ficaram muito claras. Existe hoje uma diferença fundamental de prioridades entre os países. Enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido querem mais estímulos globais às economias, a União Europeia avalia que muitos recursos já foram injetados e o foco agora deve ser a regulação do sistema financeiro.Ontem, o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, sinalizou maior afinidade com a visão americana. Mesmo reforçando a importância de mercados bem regulados, o ministro destacou que é preciso fazer mais para estimular as economias e disse que os pacotes fiscais são mais urgentes no momento. Nesse sentido, o G-20 definiu que o FMI será encarregado de avaliar as medidas de estímulo já tomadas para verificar o que ainda precisa ser feito.O encontro que ocorreu na sexta-feira e no sábado com ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países que compõem o G-20 (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia, além da União Europeia) foi uma espécie de preparação para a reunião de cúpula, que acontece em 2 de abril, em Londres, com os presidentes desses países. E, apesar das divergências ainda estarem longe de serem resolvidas, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Tim Geithner, avalia que os países conseguiram criar uma "base forte" para o encontro de abril. "É um compromisso para nos movermos juntos, fazer o que for necessário e começar a reforma do sistema financeiro."SEM PROTECIONISMONo documento divulgado ao final do encontro de ontem, também foi feito um compromisso contra todas as formas de protecionismo, para que o livre comércio seja mantido. O documento deixa em aberto, porém, questões como o tamanho dos pacotes econômicos necessários ou o montante de recursos adicionais que deve ser colocado no FMI.Logo após o encontro, as autoridades deram declarações de que o compromisso de combate é firme, já que a crise se espalhou por todo o planeta e hoje não existe nenhum país imune. "Ninguém duvida que esse é o maior desafio do mundo em gerações", disse o ministro de Finanças do Reino Unido, Alistair Darling. O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, também se pronunciaram conjuntamente. Brown deu até declarações de apoio à reforma do sistema financeiro, de forma a amenizar a divisão criada nos últimos dias.Na área regulatória, o G-20 definiu a criação de princípios básicos comuns, que podem ser adotados voluntariamente. "Nossa prioridade é restaurar o crédito", diz o comunicado. Para isso, o grupo acredita que é preciso resolver os problemas do sistema financeiro, por meio do fornecimento de liquidez, recapitalização dos bancos e solução para os ativos tóxicos.

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