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G-20 vai discutir excesso de reservas cambiais, diz Mantega

Ministro da Fazenda afirma que debate deve incluir a disparidade entre moedas controladas e flutuantes

SEBASTIAN TONG, REUTERS

05 de novembro de 2009 | 14h58

A reunião dos ministros de Finanças do G-20 neste fim de semana vai discutir como lidar com o excesso global de reservas cambiais, e o debate deve incluir a disparidade entre moedas controladas e flutuantes, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, os ministros do G-20 também devem decidir se os países deveriam seguir o exemplo brasileiro de impor uma taxação sobre o capital estrangeiro para brecar a especulação. O encontro dos ministros de Finanças do G-20 ocorre na Escócia na sexta-feira e no sábado.

 

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"Temos o perigo dos desequilíbrios, muito capital para países produtores de commodities como Brasil, Austrália e África do Sul", disse em entrevista à Reuters nesta quinta-feira, 5. "Precisamos decidir o que podemos fazer sobre isso porque temos países com moedas atreladas (a outras) e moedas flutuantes como a do Brasil."

No mês passado, o Brasil resolveu adotar uma alíquota de 2% de IOF sobre investimentos estrangeiros para ações e renda fixa. "Nós precisamos decidir se todos (adotam uma taxação sobre o fluxo de capital) ou deixam o câmbio flutuar livremente."

Para Mantega, o Fundo Monetário Internacional (FMI) tem um papel a desempenhar para ajudar os países a reduzir suas reservas cambiais, como parte de um reequilíbrio global que precisa ocorrer entre os Estados Unidos e os países asiáticos com superávit em conta corrente.

"Nós concordamos com a tese de que nós podemos operar com menos reservas. Isso siginifica que o FMI deve garantir a sustentabilidade financeira dos países. Eu posso ter menos reservas se o FMI me der um swap, então eu terei a possibilidade de ter dinheiro quando eu precisar", argumentou.

Muita liquidez

 

Mantega disse também que há uma ampla concordância entre os países do G-20 sobre a necessidade de reduzir o superávit em conta corrente de economias de rápido crescimento. O ministro acrescentou, no entanto, que boa parte do ingresso recente de capital é resultado das medidas anticíclicas adotadas por EUA e outros países para impulsionar a demanda. "Há muito carry trade porque o dólar está muito barato e as taxas de juros são muito baixas nos EUA", disse.

Mais cedo, Mantega disse a uma plateia de investidores que o IOF era uma medida única para reduzir o fortalecimento "exagerado" do real que prejudica os exportadores brasileiros. Ele disse à Reuters que o Brasil não tem outros planos para limitar os ingressos especulativos porque o fluxo global de capitais deve voltar ao equilíbrio assim que os EUA aumentarem o juro e os países reduzirem o excesso de liquidez. "É claro que, se você restabelecer o equilíbrio, nós podemos remover a taxação", disse Mantega.

O Brasil planeja vender bônus denominados em reais no mercado internacional para fortalecer o papel do real como moeda internacional, acrescentou o ministro. "Fizemos isso no passado e pretendemos fazer no futuro. É uma forma de estimular o real como moeda internacional. Ainda não decidimos quando vender nos mercados internacionais."

Mantega vai encontrar os ministros de Rússia, Índia e China na reunião do G-20, mas disse que os quatro países que formam o Bric não vão se reunir separadamente ou emitir um comunicado.

(Reportagem de Sebastian Tong)

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