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G-7 critica medidas protecionistas

Documento final de encontro realizado em Roma não cita, porém, protecionismo presente em plano americano

AP, Roma, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

Dizendo-se contrário ao protecionismo, o G-7, grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália e Canadá) prometeu trabalhar unido para combater a recessão e o desemprego global. Reunidos em Roma, os ministros das Finanças do grupo também se comprometeram com medidas para fortalecer seu sistema bancário, o que é visto como crucial para o fim da pior crise financeira já vivida nos últimos 50 anos.Mas as notícias ruins continuam. O documento final produzido após dois dias de encontro também traz previsões sombrias, com os números ruins da economia global atravessando ainda boa parte de 2009.Os ministros do G-7 alertaram que qualquer medida protecionista que venha a ser tomada para salvar a economia de um país poderá acabar se tornando uma forma de minar a prosperidade global. Não há, porém, menção às cláusulas protecionistas presentes no pacote de estímulo à economia aprovado pelo Congresso americano.Os ministros também reafirmaram a necessidade de ajudar as economias emergentes para evitar que os mais pobres se tornem os maiores perdedores com a crise global. "A estabilização da economia global e dos mercados financeiros segue sendo nossa maior prioridade", diz o documento final produzido pelo grupo.A declaração dá respaldo ao enfoque americano e britânico para consolidar o sistema bancário, mediante a recapitalização dos bancos. Os ministros disseram ainda que se deve encontrar uma forma de solucionar a questão dos ativos tóxicos dos bancos, embora não tenham fornecido nenhuma ideia concreta de como se fazer isso. O encontro em Roma foi a primeira atuação internacional do novo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, que chegou acompanhado do presidente do Fed (o banco central americano), Ben Bernanke, ao prédio do Ministério da Fazenda da Itália. Geithner, porém, se recusou a responder aos jornalistas quando perguntado se o grupo havia conseguido avanços concretos.Os países do G-7 pediram à China que continue a valorizar sua moeda, como forma de eliminar os gigantescos desequilíbrios comerciais. Não houve, porém, nenhuma referência às declarações feitas por Geithner em Washington, consideradas uma crítica contundente à política monetária chinesa - para muitos analistas, a China mantém o yuan artificialmente subvalorizado para elevar as exportações.Geithner, que chegou a Roma após enfrentar uma semana cheia de críticas pelo novo plano do governo americano para resgatar os bancos do país, viu com alívio o Congresso aprovar o plano de gastos extraordinários de US$ 787 bilhões. Apesar dessa notícia positiva, estatísticas econômicas europeias divulgadas na sexta-feira mostraram que a situação econômica global está longe de apresentar melhoras consistentes. Por isso mesmo, os ministros da Fazenda do G-7, juntamente com os presidentes dos bancos centrais, tentam traçar um plano comum para combater a crise.O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, que também participou do encontro, disse na sexta-feira a banqueiros italianos que qualquer medida para manter dentro dos países os planos de resgate iria somente piorar a crise global. "Nesse momento, o nacionalismo econômico não é econômico nem é nacionalismo (...), e o que poderia ser politicamente correto pode também ser economicamente incorreto", afirmou. "A atração de se fazer uma política nacionalista é muito forte, mas é óbvio que os fatos que encaramos não param nas fronteiras nacionais."Para o futuro, os ministros esperam ter um plano de ação por escrito, com princípios comuns de transparência, antes de quatro meses - a tempo, portanto, de ser levado à reunião do G-8 (os países do G-7 mais a Rússia), que será realizada na Itália em julho. Além disso, as recomendações do encontro ontem seguramente vão influir na reunião de abril do G-20, formado pelo G-7 e pelos maiores países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia.FRASERobert ZoellickPresidente do Banco Mundial"Nesse momento, o nacionalismo econômico não é econômico nem é nacionalismo (...), e o que poderia ser considerado politicamente correto pode também ser economicamente incorreto"

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