G-7 estuda dizer que nenhum banco importante pode falir

Também deverá constar do documento medidas para restaurar a confiança nos congelados interbancários

Ana Conceição, da Agência Estado

10 Outubro 2008 | 17h41

Líderes do Grupo dos sete (G-7) estudam dizer em sua declaração final que não será permitida a falência de nenhum banco importante para o sistema financeiro. Também deverá constar do documento medidas para restaurar a confiança nos congelados mercados interbancários. As informações são de uma autoridade européia do G-7.   Veja também: Como o mundo reage à crise  Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil    O grupo das nações mais industrializadas do planeta está reunido hoje em Washington para discutir a crise financeira global. Eles tentam fechar um acordo sobre uma série de princípios comuns que todos os sete países deveriam adotar ao resgatar bancos em crise, disse a fonte.   "Temos de ter certeza que os países do G-7 respeitarão um certo número de regras em termos de intervenção do Estado (no socorro a um banco ou instituição financeira), que não distorçam a competitividade e estejam atentas ao impacto que suas medidas possam ter nos países vizinhos", acrescentou a fonte. "O que queremos é uma caixa de ferramentas comum a todos."   Um dos principais pontos para discussão na reunião desta sexta-feira é se não será permitida a falência de nenhum banco importante para o sistema financeiro. O colapso do Lehman Brothers Holdings em setembro aprofundou a crise nos mercados. "Um dos pontos de discussão é se Paulson (secretário do Tesouro dos EUA) está pronto para dizer que não irá deixar nenhum banco importante para o sistema falir e se o governo norte-americano está pronto para comprar participação nos bancos, se necessário", disse a autoridade européia.   Na semana passada, países da União Européia decidiram apoiar bancos importantes para o sistema, mas disseram que cada país terá de criar soluções locais para enfrentar a crise financeira. Ao mesmo tempo, as nações européias sublinharam a necessidade de aumentar a coordenação entre elas. A Europa agora quer que o G-7 adote uma posição similar, disse a fonte.   O G-7 também procura formas de restaurar a confiança nos mercados interbancários, que estão parados, agravando o estresse nos mercados financeiros. Contudo, é improvável que o G-7 recomende a ação de um plano nos moldes britânicos para todos os membros do grupo, afirmou a fonte. "A questão é se novas medidas são necessárias para descongelar os mercados interbancários", disse. "Uma resposta ao estilo britânico pode ser implementada em todo lugar? É improvável que seja o caso por conta da diferente situação de cada país."   O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, está pedindo aos principais países industrializados que se unam e garantam os empréstimos interbancários, já que os mercados internacionais de crédito estão parados. Pelo plano, que está sendo agora apresentado ao G-7, o governo britânico garantirá até 250 bilhões de libras esterlinas (US$ 426,45 bilhões) em dívidas bancárias com vencimento em até 36 meses. A expansão dessa proposta para outros países tem bastante apoio de Wall Street e está sendo estudada por autoridades americanas, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.   A declaração final do G-7 provavelmente vai enfatizar as medidas tomadas recentemente por vários países para ajudar seus sistemas financeiros, assim como os passos anunciados pelo Banco Central Europeu (BCE) nesta semana para injetar mais liquidez no sistema financeiro, disse a fonte européia da reunião do G-7.

Mais conteúdo sobre:
G-7 crise nos EUA crise mundial

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.