G-7 não pode mais tomar decisões sem ouvir BRICs, diz Amorim

Bloco de países emergentes decide sair do papel com o objetivo de ganhar mais espaço político

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

16 de maio de 2008 | 14h28

Com os BRICs formalizados, o chanceler Celso Amorim já alerta que o G-7, grupo das economias industrializadas, não tem mais como tomar decisões sem ouvir Brasil, Rússia, Índia e China. Nesta sexta-feira, 16, o ministro das Relações Exteriores participou da primeira reunião de chanceleres dos países do BRIC, bloco inicialmente criado por analistas do mercado financeiro e que saiu do papel nesta sexta para tentar ganhar espaço político. Veja também:Entenda a crise dos alimentos  "O grupo se assumiu", afirmou Amorim, que às margens do encontro manteve reuniões com a China para alertar sobre o déficit comercial crescente do Brasil com Pequim. Um sinal de que nem todo o discurso de cooperação nos BRICs tem sua contrapartida na realidade comercial entre as economias. No comunicado final da reunião, o bloco concordou em coordenar ações em vários setores econômicos e políticos, com o objetivo de se transformar em um ator nas decisões internacionais. "Montar um sistema internacional mais democrático fundado no império da lei e em uma diplomacia multilateral é um imperativo do nosso tempo", afirmaram os ministros das Relações Exteriores dos quatro países. Em declarações de que querem fazer parte do debate sobre a segurança internacional, os quatro países "confirmaram as aspirações dos BRICs de trabalharem entre si e com outras nações a fim de fortalecer a segurança e a estabilidade internacionais." O compromisso envolveu também uma coordenação para tentar lidar com a alta nos preços das commodities. Amorim optou por criticar os subsídios agrícolas dados pelos países ricos e que estariam gerando distorções no comércio há anos. Para ele, isso acabou afetando a produção nos países mais pobres e agravando a crise hoje. Já a China, importadora de alimentos de combustível, atacou os especuladores e pediu uma coordenação entre produtores e os consumidores de petróleo para que a volatilidade dos preços não acabe afetando o crescimento das economias. Em entrevista ao Estado por telefone da Rússia, o chanceler ainda afirmou que o bloco endossou o etanol como parte de uma estratégia energética mundial. Mas prova de que nem tudo é cooperação entre os BRICs, Amorim manteve uma conversa difícil com seu homólogo chinês e revelou a "decepção" do Brasil em relação aos níveis de investimento da China no País e das barreiras para as exportações nacionais.

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