G-7 pode interceder a favor da Argentina junto ao FMI

Os ministros de Economia e Finanças do G-7 podem decidir neste final de semana, em Halifax, no Canadá, interceder a favor da Argentina junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Embora não exista nenhuma posição clara sobre um apoio direto do G-7 à Argentina, o aval dos sete países mais ricos do mundo poderá ser decisivo para um primeiro socorro financeiro ao país. Se o G-7 decidir de fato interceder, será uma das melhores notícias que a administração Eduardo Duhalde receberá nos últimos seis meses, período em que o país afundou na maior crise econômica e financeira de sua história."O governo do presidente Duhalde deu passos importantes para cumprir as exigências do FMI, e, neste momento, as condições para iniciar as negociações que permitam liberar um primeiro pacote financeiro estão dadas", disse ao jornal espanhol Cinco Dias o vice-presidente da Espanha, Rodrigo Rato, que participará do encontro representando a União Européia. É bom lembrar que as missões enviadas até agora pelo FMI a Buenos Aires não têm sido negociadoras, mas puramente técnicas.Em seu informe trimestral, divulgado ontem em Washington, o FMI reconhece que, se a crise argentina piorar ou se o peso entrar em queda livre, o contágio a outros mercados emergentes não será tão limitado como até agora. O G-7, do qual fazem parte a Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos, sabe disso, razão pela qual Rato, que será o responsável para falar sobre a situação argentina durante a reunião do G-7, declarou que não se pode pedir ao governo argentino a superar todos os problemas de uma só vez.Pânico financeiroHá três semanas, diretores do Fundo haviam reafirmado, com alívio, que a crise argentina não havia passada das fronteiras desse país. Mas os desdobramentos no Brasil, onde o dólar e o risco país dispararam nos últimos dias, podem desmentir essas previsões dos funcionários do Fundo. Desde janeiro, o real perdeu 15% de seu valor frente dólar ? a cotação passou de R$ 2,30 por dólar, no dia 2 de janeiro, para R$ 2,645 nesta quinta-feira ? e o risco país passou dos 700 pontos base para mais de 1.200 pontos base, uma clara mostra de que o pânico financeiro começou a ganhar força no mercado."Somos partidários de que o Fundo comece a negociar um primeiro pacote financeiro", disse o ministro espanhol, ao lembrar que a administração Duhalde e o Congresso argentino atenderam às três últimas exigências do FMI (revogação da lei de subversão econômica, modificação na lei de falências e acordo com as províncias para reduzir em 60% o déficit público).Em entrevista a agências internacionais no início desta semana, um graduado funcionário do governo canadense antecipou que os ministros do G-7 farão um resumo conciso de seus pontos de vista sobre como fazer para que as negociações entre o Fundo e a Argentina tomem de vez um rumo. "A negociação de um programa com o Fundo é certamente a chave para desbloquear a série de barreiras que têm impedido a Argentina a voltar ganhar velocidade para crescer", disse esse funcionário canadense.Leia o especial

Agencia Estado,

13 de junho de 2002 | 14h54

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