G-8 debate saída estável da crise

Países ricos vão pedir ajuda ao FMI para criar formas de reduzir a dependência dos pesados pacotes de estímulos

Agências internacionais, LECCE, ITÁLIA, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

Está na hora de estudar formas de sair do ciclo de extraordinários estímulos econômicos contra a crise, declararam os ministros de Finanças do grupo das sete economias mais industrializadas e a Rússia (G-8). Com os sinais mais evidentes de estabilização nas economias, as autoridades financeiras concordaram em pedir ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para que encontre formas de ajudar os países a reduzir a necessidade dos pesados pacotes de estímulo que ameaçam a estabilidade econômica no longo prazo. Medidas que surgirem do estudo serão negociadas na cúpula de chefes de Estado em julho.Em comunicado conjunto divulgado após o encontro de dois dias, em Lecce, na Itália, o grupo disse que as "estratégias de saída" das medidas de estímulo são "essenciais para promover uma recuperação sustentável no longo prazo". "Há sinais de estabilização em nossas economias, como a recuperação dos mercados financeiros, o corte nas taxas de juros e a melhora da confiança dos investidores e consumidores."No entanto, a situação continua incerta e "persistem riscos significativos". Por isso, eles reforçaram o compromisso de aumentar os estímulos, se necessário, mas desde que isso não ameace a estabilidade dos preços ou afunde os orçamentos públicos em déficit. "Vamos continuar trabalhando juntos para tomar as medidas necessárias para colocar a economia global num forte, estável e sustentável caminho de crescimento, incluindo a manutenção dos consistentes estímulos macroeconômicos, com estabilidade de preços e sustentabilidade fiscal no médio prazo."Anfitrião do encontro, o ministro de Finanças italiano, Giulio Tremonti, disse que o aquecimento dos mercados mundiais de commodities é um indício de reação. "É um sinal de que a crise de liquidez pode ter acabado e de que as finanças estão levantando a cabeça."Já o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, foi mais cauteloso ao dizer que, no momento, não se pode falar em recuperação. "Não creio que temos chegado a um ponto em que possamos falar em recuperação de fato. É demasiado cedo para mudar de rumo e conter as políticas."Segundo fontes das delegações, duas claras posições foram estabelecidas no debate: a de países que defendem o abandono gradativo de certas medidas excepcionais, como Alemanha e Canadá, e a dos que querem manter os estímulos, como Estados Unidos e Reino Unido."Temos de nos manter vigilantes para garantir que a confiança dos consumidores e investidores seja totalmente recuperada e que o crescimento seja sustentado por mercados financeiros estáveis e fundamentos fortes", diz o comunicado.Os ministros concordaram sobre a necessidade de estabelecer princípios comuns para a integridade e transparência na conduta das finanças internacionais. Para isso, a estratégia será identificar brechas regulatórias e fomentar o consenso internacional para que as novas regras sejam rapidamente adotadas. Um assunto abordado de última hora na reunião foi a necessidade de estudar recursos mais adequados para combater a vulnerabilidade do câmbio. Enquanto o ministros se reuniam num castelo medieval, cerca de milhares de manifestantes antiglobalização fizeram uma passeata pacífica no centro histórico.

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