G-8 deve começar a estudar estratégia para sair da crise

Dados sugerem desaceleração da contração econômica nesses países e ministros devem discutir ações

Danielle Chaves, da Agência Estado, e Dow Jones,

10 de junho de 2009 | 14h05

Os ministros de Finanças do Grupo dos Oito (G-8) que se reunirem nesta sexta-feira e sábado na Itália deverão começar a estudar uma estratégia para sair da crise. Pesquisas de negócios, alguns dados econômicos e indicadores sugerem que a contração econômica dos países do G-8 está se desacelerando e que alguns membros podem voltar ao crescimento já no fim deste ano. Os ministros provavelmente vão pensar sobre como reduzir a dívida dos governos, agora que a pior parte da recessão parece ter passado.

 

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Na reunião que será realizada na cidade italiana de Lecce, os ministros deverão saudar os sinais de estabilização da economia global. No entanto, provavelmente eles não vão declarar que uma recuperação está a caminho, destacando que novas ações precisam ser tomadas para garantir que os primeiros sinais da retomada sejam alimentados.

 

Novas iniciativas não são esperadas. O foco estará em como assegurar aos investidores de bônus que a dívida dos governos será reduzida quando as economias começarem a crescer de novo. Sem essa garantia, os yields dos bônus dos governos podem subir, aumentando o custo dos empréstimos para governos e empresas e ameaçando enfraquecer a recuperação.

 

"Com os dados confirmando que a recessão está diminuindo, agora é o momento para os países do G-8 enviarem um claro sinal sobre planos para controlar o déficit e a dívida no médio prazo", afirmou Marco Annunziata, economista do UniCredit em Londres.

 

Os ministros de Finanças acreditam que os governos deveriam coordenar suas estratégias para saída da crise do mesmo modo que se esforçaram para trabalhar juntos quando adotaram grandes planos de estímulo econômico. Isso porque sinais de que grandes economias estão progredindo rapidamente podem tornar os bônus desses governos mais atraentes do que os emitidos por outros países, o que levaria a um movimento de moedas grande e desestabilizador.

 

Além disso, os ministros deverão discutir o estado do sistema bancário global. Embora o colapso de outra grande instituição financeira agora pareça improvável, existem poucos sinais de que os bancos estão emprestando livremente.

 

A reunião do G-8 também dará ao secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, oportunidade para conversar diretamente com o ministro de Finanças russo, Alexei Kudrin, sobre a decisão do Banco Central da Rússia de reduzir a proporção de reservas estrangeiras que investe em bônus do Tesouro dos EUA.

 

A decisão, anunciada nesta quarta, coloca mais pressão sobre o dólar, que tem perdido terreno ante o euro nas últimas semanas. Apesar disso, as taxas de câmbio não deverão ser um tópico importante da reunião.

 

O G-8 é composto por Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia.

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