G-8 não significa mais nada, diz Amorim

Para o ministro, o grupo, que reúne os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia, ?morreu?

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

Às vésperas da primeira reunião de cúpula do grupo dos grandes países emergentes, o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), em Ecaterimburgo, na Rússia, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, decretou ontem a morte de outro grupo, mais poderoso, o G-8. Para o chanceler, um fórum internacional que reúna apenas os sete países mais ricos mais Rússia "não representa mais nada". As críticas do chanceler foram feitas a uma plateia de estudantes, acadêmicos e diplomatas que assistia à sua palestra sobre O Mundo Pós-Crise, realizada no Instituto de Estudos Políticos (SciencesPo), em Paris.Na próxima semana, Amorim e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participarão da cúpula dos emergentes na Rússia. Já entre 8 e 10 de julho, no encontro dos sete países mais ricos mais a Rússia (G-8), os países emergentes serão apenas convidados.Pelos planos do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, o primeiro dia de trabalho da Cúpula do G-8, na cidade de Áquila, terá apenas a presença dos chefes de Estado e de governo da própria Itália, dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França, da Alemanha, do Canadá, do Japão e da Rússia. Somente no segundo dia, a reunião será aberta aos "convidados". "Aí se transforma em um G-14 e depois em um G-21, com a presença dos países da União Africana", informou Berlusconi, em maio.Contra essa organização, Amorim disparou uma rajada de insatisfações. "O G-8 morreu, não tenho a menor dúvida, porque ele não representa mais nada", afirmou, destilando ironia. "Eu não sei comovai ser o enterro. Às vezes ocorre lentamente."LULA EM NOVO GIROPara o chanceler, desde a Cúpula de Londres, realizada em abril, na qual as 20 maiores economias estiveram presentes, inclusive o Brasil, as reuniões do G-8 não fazem mais sentido. "Quando foi criado o G-7, ele representava as maiores economias do mundo. Hoje, por qualquer critério, a China, a Índia e o Brasil são importantes, têm um peso para a economia mundial", justificou.Para Amorim, a proliferação de fóruns internacionais acaba sendo contraproducente. "Hoje tem muita confusão, muitos fóruns. Tem o G-8, o G-8+5, agora o G-8+6. De repente, soma ao G-8 mais 12 e temos o G-20", disse, em tom sarcástico. "O fato é que, quando se fala em G-8+, sempre se está falando em um grupo de países que são o núcleo. Acho que isso precisa ser superado."Na próxima semana, Lula, acompanhado de Amorim, realiza um novo giro internacional, passando por Genebra, na Suíça, Ecaterimburgo, na Rússia, e Astana, no Casaquistão. Nessa turnê, o evento mais importante é a Cúpula dos Brics."Queremos reforçar a cooperação, que já existe e é boa, no terreno macroeconômico, nas discussões sobre a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), do G-20, e sobre a própria reunião do G-8+5", afirmou Amorim, esclarecendo: "Quando falo em discussão, não falo em acordo prévio."

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