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G20 defende reforma do sistema financeiro global

Ministros de Economia se reúnem neste sábado e domingo em São Paulo.

Alessandra Corrêa, BBC

07 de novembro de 2008 | 22h48

Na reunião que começa neste sábado em São Paulo, os ministros de Economia e presidentes dos bancos centrais dos países que formam o G20 vão discutir a necessidade de reorganizar o sistema financeiro mundial diante da crise econômica.Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, entre as propostas a serem apresentadas pelos países emergentes estará a de que o G20 passe a ser formado por chefes de Estado e deixe de ser um órgão de reflexão, como é hoje, para ter atuação mais direta nas crises.Outra opção seria ampliar o G7 (grupo que reúne as sete economias mais industrializadas do mundo) de modo a incluir os países emergentes."O G7 não representa os emergentes", disse Mantega nesta sexta-feira, véspera do encontro. "É insuficiente para trazer soluções para esses problemas (surgidos com a crise financeira)."BricMantega participou nesta sexta-feira da primeira reunião formal de ministros da Fazenda dos países que integram o chamado Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China).Desse encontro preliminar, disse o ministro, surgiu a decisão de que esses países irão coordenar melhor suas ações, estreitar a atuação na política econômica e trocar mais informações."Decidimos ter uma ação mais coordenada", disse Mantega.Uma nova reunião dos ministros do Bric será realizada em fevereiro ou em abril (antes da reunião do FMI).De acordo com o ministro, os emergentes respondem por 75% do crescimento global e precisam ter voz mais ativa e maior participação na formulação de propostas."Nos recusamos a participar do G7 como tomadores de cafezinho", disse Mantega.De acordo com o ministro, "pela gravidade da crise", as próprias economias avançadas têm demonstrado disposição maior de permitir a participação dos emergentes.RecessãoA crise surgida nos Estados Unidos e na Europa se espalhou pelo mundo, contagiou os emergentes e, segundo o ministro, demonstrou a necessidade de reformar o sistema financeiro."Me parece inevitável que haja recessão nos Estados Unidos, na Europa e no Japão", disse Mantega. "É importante estancar esse processo para que não atinja os emergentes."No caso do Brasil, apesar da crise o ministro disse que o objetivo do governo é perseguir para 2009 um crescimento do PIB em torno de 4%. "Acho que é possível", afirmou.Segundo o ministro, a crise mostrou que as instituições que controlam o sistema financeiro internacional "falharam", e por isso precisam ser reformuladas.Mantega disse que são necessárias regras mais claras, maior fiscalização e medidas para minimizar o impacto da retração de crédito e da evasão de capital.Em um comunicado divulgado ao fim da reunião, os ministros dos Bric afirmaram que as reformas no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial devem ir adiante."Ainda somos dirigidos e controlados por instituições que refletem a situação dos anos 40", disse. "O mundo mudou."Segundo Mantega, será necessário "um novo Bretton Woods" (cidade americana que foi cenário das negociações que culminaram na criação do FMI e do Banco Mundial, em 1944). Mantega disse que esse encontro seria realizado provavelmente em outro lugar, mas teria o mesmo significado.ObamaAs propostas que serão discutidas neste sábado e domingo deverão ser levadas ao encontro de chefes de Estado do G20 marcado para o dia 15, em Washington."O que for discutido servirá de subsídio para que os chefes de Estado formulem propostas", disse Mantega.Conforme o ministro, a partir do encontro na capital americana deverão ser formados grupos de trabalho para detalhar as propostas.Segundo Mantega, "até o momento está havendo uma grande convergência, não só entre os países emergentes, mas também entre os avançados", tanto no diagnóstico da crise quanto em propostas.O ministro afirmou ainda que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, terá "mais legitimidade" para colocar em prática novas políticas econômicas, "sejam elas simpáticas ou antipáticas".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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