G20 está dividido sobre indicadores de desequilíbrio

As maiores economias do mundo estavam divididas ao meio sobre como medir desequilíbrios na economia mundial para evitar crises futuras, disse o ministro das Finanças japonês nesta sexta-feira.

RIE ISHIGURO E GERNOT HELLER, REUTERS

18 de fevereiro de 2011 | 10h04

Falando antes da reunião de ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20, Yoshihiko Noda disse não ter certeza de que os países alcançarão qualquer acordo sobre indicadores para avaliar o equilíbrio econômico global.

"É incerto se os países concordarão em todos os indicadores, mas eu acho que um acordo em alguns (indicadores) é possível", disse Noda a jornalistas.

"A partir das discussões dos grupos de trabalho, eu tenho a impressão de que agora os países estão divididos ao meio sobre suas opiniões."

Em negociações preparatórias na quinta-feira, fontes do G20 disseram que China e Alemanha são contra um indicador de balanças de pagamentos, enquanto Pequim resiste a incluir indicadores sobre taxas de câmbio e reservas cambiais no pacote.

O presidente do banco central chinês, Zhou Xiaochuan, disse que Pequim decidirá por conta própria sobre o ritmo de apreciação do iuan e que não será influenciada pela pressão de outros países.

Uma fonte alemã duvidou que haja um acordo na reunião de dois dias em Paris, dizendo que Berlim quer no mínimo uma lista com cinco indicadores para combater desequilíbrios.

"É difícil para nós imaginarmos deixar algo de fora, por exemplo deixar os relacionados a moedas e manter o relacionado a conta corrente", disse a fonte à Reuters.

DUAS ETAPAS

A ministra francesa de Economia, Christine Lagarde, disse esperar que a primeira reunião ministerial do G20 sob sua presidência aprove uma lista preliminar de indicadores, em um processo de duas etapas que irá gerar diretrizes até o fim do ano para políticas econômicas globais mais coordenadas.

As potências emergentes da China e da Índia já elevaram os juros para combater a inflação e reclamam sobre os riscos de que o capital especulativo desestabilize suas economias.

A pressão cresce para que o Banco da Inglaterra seja o próximo a subir os juros, uma vez que a inflação britânica alcançou o dobro da meta do BC.

O Banco Central Europeu (BCE) não deve apertar a política monetária até pelo menos o fim do ano e o Federal Reserve continua a injetar dinheiro para estimular a economia através de um programa de 600 bilhões de dólares -- a provável fonte do aumento das entradas de capital em emergentes.

O presidente do Banco do Japão disse nesta sexta-feira que a política monetária expansionista no mundo desenvolvido está levando capital a economias emergentes e ajudando a inflar os preços de commodities, mas é necessária.

"Os estímulos monetários por países desenvolvidos estão causando ingressos de capital em países emergentes e, em parte, esses são os culpados pela alta dos preços de commodities", afirmou Masaaki Shirakawa a jornalistas.

"Porém, os estímulos monetários em países desenvolvidos são medidas necessárias", disse ele.

Em documento preparado para a reunião do G20, o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que a crise de dívida da zona do euro ainda é uma ameaça à recuperação global, enquanto nações emergentes correm o risco de superaquecer e a alta dos preços de alimentos é um risco inflacionário.

Shirakawa, o chairman do Fed, Ben Bernanke, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, o presidente do BC britânico, Mervyn King, e o presidente do BC chinês, Zhou Xiaochuan, falarão durante o evento em Paris por volta de 12h30 (horário de Brasília).

O secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, também deve falar na conferência organizada pelo grupo de pesquisa Eurofi.

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