Mario Guzmán/EFE
Mario Guzmán/EFE

G20 prega diálogo para evitar guerra comercial

Emergentes perderam US$ 14 bi em capital externo apenas em maio e junho, afirma FMI

Altamiro Silva Júnior , O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2018 | 05h00

BUENOS AIRES  - O documento final da reunião ministerial do G20, grupo formado pelos países mais ricos do mundo, que terminou ontem em Buenos Aires, reconhece o aumento da tensão comercial na economia mundial, alerta para o crescente risco dessas tensões e de questões geopolíticas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) e pede que os países dialoguem.

“Reconhecemos a necessidade de intensificar o diálogo e as ações para reduzir riscos e aumentar a confiança”, diz o texto, elaborado após dois dias de encontro na capital argentina. Na reunião anterior, realizada em março, o comunicado não falava de tensões comerciais. 

O encontro ocorreu em meio a uma escalada na retórica da guerra comercial entre Estados Unidos e China, que já impuseram tarifas de US$ 34 bilhões em bens. O presidente americano, Donald Trump, aumentou ainda mais a tensão na última sexta-feira, ao ameaçar tarifar todos os US$ 500 bilhões de exportações chinesas, a menos que a China mude sua política de transferência de tecnologia, subsídios e joint ventures.

O documento do G20 diz que os emergentes estão mais preparados para lidar com o cenário externo adverso. Ainda assim, o texto destaca que essas economias têm o desafio de ter maior volatilidade no mercado financeiro e o risco das reversões dos fluxos de capital. Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) ressalta que só em maio e junho, os emergentes tiveram fuga de US$ 14 bilhões de capital externo.

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“O crescimento da economia mundial continua sendo robusto e o desemprego se encontra no nível mais baixo em última década”, observa o texto. “Contudo, o crescimento tem sido menos sincronizado e os riscos de curto e médio prazo aumentaram.” Entre estes riscos, o comunicado menciona “crescentes vulnerabilidades financeiras, as maiores tensões comerciais e geopolíticas”, além de “desequilíbrios globais”.

O G20 enfatiza no texto a necessidade de avanço nas reformas estruturais, de forma a ampliar o crescimento potencial. Na reunião de março, os dirigentes se comprometeram a não fazer desvalorizações cambiais competitivas de suas moedas que possam ter efeito adverso sobre a estabilidade financeira mundial. No texto de ontem, os dirigentes reafirmaram o compromisso.

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O secretário internacional da Fazenda, Marcello Estevão, disse à imprensa estrangeira que a discussão para a elaboração do comunicado final da reunião foi “cordial”, embora com diferença de opiniões. “Todos concordamos que é preciso ter mais comércio. O que estamos pedindo é que as partes que estão em desacordo conversem mais e briguem menos.”

*Com informações da Reuters.

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